Superexposição nas redes sociais

Enviada em 02/01/2021

A superexposição nas redes sociais é fruto da cultura digital. Uma sociedade acorrentada ao mundo virtual, preterindo a tela do “smartphone” ao convívio social, jogos simuladores de realidade ao ambiente genuíno, acabou por afugentar a população em ilhas “cibernéticas”. Assim, negligenciando a humanidade nos âmbitos da segurança e da saúde.

De fato, o ambiente passível ao anonimato torna a internet um universo inseguro. Tal como a série estadunidense de 2018, “You”, cujo protagonista usa as redes sociais para rastrear a presença de uma moça. Essa facilidade em perseguir está indubitavelmente ligada a falta do controle na segurança dos usuários das plataformas fornecedoras desse tipo de acesso, como o “Facebook”. Tendo em vista a matéria publicada pelo “site” “TecMundo” em 2018, onde a professora Aleksandra Korolova, da Universidade do Sul da Califórnia, nos Estados Unidos, afirma: “Mesmo com todas as funções de localização desativadas e sem fazer check-ins ou postar fotos, ainda assim o Facebook continua rastreando você”. Portanto, é cabível ao Estado, como detentor de poder jurídico sobre serviços prestados dentro de território nacional, estabeler medidas protetivas eficazes para com os cidadãos.

Outrossim, o aumento do índice de riscos à saude mental também está atrelado ao uso em demasia das redes socias. Como mostra os dados da pesquisa “Futuro Digital em Foco Brasil 2015”, desenvolvido pela empresa de medição e análise de internet “ComScore”: “90% dos jovens de 14 a 24 anos de idade usam redes sociais e estão mais vulneráveis aos efeitos colaterais do uso em excesso, nos últimos 25 anos, as taxas de ansiedade e depressão nessa parcela da população aumentaram 70%”. Esse vínculo emocional, cada vez mais instável, entre o índivíduo e seu bem-estar é um parelo com a “A Teoria Platônica das Ideias”, onde o plano inteligível detém a perfeição inexistente no plano físico, criando no sujeito uma relação de dependência com o meio virtual. Como mostra a pesquisa realizada pela “Amdocs” em 2016: “Os jovens brasileiros entre 15 e 18 anos não desgrudam do celular”. Desse modo, a necessidade de melhoramento de conduta é legítima e requer decisões rápidas.

Diante disso, cabe ao Estado sanar a problemática da superexposição das redes sociais, através da implementação de um projeto educacional “Lucidez Cibernética”, uma parceria dos Ministérios da Educação e da Saúde, organizações não governamentais como a ‘‘Gerando Falcões’’ e escolas públicas e privadas, levando informação e métodos de proteção contra quaisquer transgressões por meio das redes sociais e maneiras de melhorar o uso delas, com o intuito de reduzir danos à vida dos usuários. Dessa forma, pode-se garantir os bons frutos da cultura digital.