Superexposição nas redes sociais

Enviada em 12/03/2021

No filme “Modo avião”, da Netflix, é retratado a vida da protagonista Ana que, viciada nas redes sociais, diariamente faz postagens de sua rotina- desde a hora que acorda até a de dormir-, sem se importar com a exposição exagerada a que se submete. Paralelamente à realidade atual, embora ficcional, tal obra mostra bem uma questão que permeia a vida de milhares de pessoas no século XXI: a superexposição nas redes sociais, sendo pauco de discussão, devido à mistura entre o público e o privado e à busca pelo encaixe nos padrões impostos, que trazem aspectos negativos para a vida em sociedade.

Em primeiro plano, é necessário analisar que, conforme defendido pela filósofa alemã Hannah Arendt, nos esbarramos, atualmennte, com a dificuldade de compreender a separação decisiva e fundamental entre as esferas pública e privada da vida em grupo. Sob esse viés, assim como a personagem Ana, muitas pessoas acabam por não estabelecerem limites entre o que deve ser postado nas redes sociais e o que não deve, se expondo de forma exacerbada com fotos de momentos íntimos, localizações frequentes e desabafos que não deveriam ser divulgados por colocarem em risco a privacidade e a segurança desses indivíduos. Assim, um dos aspectos negativos da superexposição é posto a prova, mostrando a urgencia de mudanças.

Em segundo plano, cabe destacar também a existência de uma busca das pessoas, que navegam nas redes sociais, de se encaixarem nos esteriótipos estabelecidos pelos usuários de aplicativos como Instagram e Facebook. Nessa linha de pensamento, tendo em vista a padronização existente em aspectos como padrões corporais, vestimentas e de uma vida, muitas vezes ilusoria, de plena felicidade- como se os indivíduos estivessem inseridos no modelo de produção Fordista, usado durante a Primeira Revolução Industrial-, não é surpresa o destaque desse como um dos aspectos negativos da superexposição. Dessa forma, muitas pessoas sofrem com problemas como ansiedade, depressão e baixa autoestima, afetando diretamente o convívio social e indo de encontro a teoria do filósofo Aristóteles, de sociabilidade do homem, uma vez que o todo não tem sido beneficiado.

Portanto, tendo em mente o laço muito estreito entre os âmbitos público e privado e a padronização existente nas redes sociais, urge que o Ministério da Educação e o Ministério da Saúde elaborem projetos sociais voltados a questão, visando melhorar a relação entre homem, exposição e redes sociais. Para isso, por meio de projetos nas escolas do país- desde o Ensino fundamental II- e de programas de concientização, a diferença entre público e privado e as singularidades de cada pessoa devem ser trabalhadas efetivamente - com auxilio de palestras e rodas de conversa.