Superexposição nas redes sociais

Enviada em 03/05/2021

A série britânica “Black Mirror”, em seu episódio denominado “Queda Livre”, mostra a realidade de uma sociedade que se baseia em notas, dadas por meio de likes na rede social e os usuários são ranqueados. Tais notas determinam o emprego, a casa, o status social e as oportunidades que o indivíduo tem, de forma a fazer com que ele viva em função das curtidas. Fora das telas, a situação não é muito diferente, pois a superexposição nas redes sociais é existente, e causa desde problemas de ordem mental até o aumento de crimes digitais, de maneira que são necessárias que as redes sociais e o Estado tomem atitudes contra essa forma de exibicionismo digital.

Primeiramente, é preciso discutir os impactos que a exacerbada exposição nas redes sociais causam nos usuários. Assim como na ficção, a vida online é baseada nas aparências, ou seja, ela é completamente editável. Mostram-se apenas as partes boas, e isso pode gerar em quem assiste uma sensação de frustração, insatisfação pessoal e distúrbios de distorção de imagem, como observado na pesquisa britânica da Royal Society for Public Health, que apontou que 70% dos jovens que utilizam o Instagram se sentem mal com sua autoimagem. Percebe-se então que a idealização de uma vida baseada nas mídias sociais é perigosa e danosa para os usuários.

Adicionalmente, o aumento nos crimes digitais é outro problema no que se refere à superexposição na internet. Todas as redes sociais tem acesso aos dados - nome, data de nascimento, cadastro de pessoa física (cpf) - que os usuários permitem, e essas informações podem ser usadas por criminosos, como aconteceu no início de 2021, quando mais de 212 milhões de dados foram vazados e estavam sendo vendidos na rede. Além disso, a ferramenta “check-in” do Facebook, por exemplo, também apresenta um perigo, pois ela expõe a localização em tempo real do indivíduo, o que pode acarretar em crimes contra a pessoa. Vê-se que são necessárias medidas para tornar esse tipo de exibição social menos prejudicial.

Portanto, com vistas a proteger os usuários e seus dados, é necessário que as redes sociais protejam seus bancos de dados de possíveis ataques - investindo, por exemplo em novas formas de programação e criptografia - e que elas peguem o menor número de dados o possível dos indivíduos. Isso será feito por meio de uma revisão dos termos de uso e permissões dos aplicativos. Ademais, é preciso que o Ministério da Saúde promova o debate sobre saúde mental e o uso das redes sociais, com o intuito de incentivar o uso saudável das redes, diminuindo a superexposição e naturalizando a vida normal, não editada.