Superexposição nas redes sociais
Enviada em 01/06/2021
Com a Revolução Técnico-Científico-Informacional do século XX, os padrões de relacionamentos, a busca por conhecimento e a forma de revelar-se ao mundo passaram por mudanças significativas. Nesse sentido, com o desenvolvimento acelerado, a vida “on-line” engrandeceu-se abruptamente, tornando-se simples encontrar informações sobre o que quer que seja. Entretanto, apesar dos possíveis benefícios que o mundo virtual fornece, faz-se necessária a análise de alguns impasses, haja vista dois aspectos: a globalização paradoxal e as consequências da idealização midiática.
Em primeiro lugar, é proveitoso ressaltar que a primeira rede social difundida no Brasil – “Orkut” – surgiu no início do século XXI com a possibilidade de interação por mensagem e formação de comunidades. Desse modo, como em qualquer novidade desconhecida, houveram os adeptos e os que resistiam; porém, essa dicotomia não durou, visto que os navegadores da “web” cresceram exponencialmente ao redor do país. Por isso, é comum o pensamento de que o âmbito virtual uniu os indivíduos. Entretanto, a conjuntura não é tão simples assim, uma vez que a BBC (Corporação Britânica ) atestou a diminuição do contato pessoal na mesma proporção do avanço tencológico, contradiz essa suposta mundialização. Com base nisso, é coerente afirmar que a globalização não concebe apenas a análise sociológica referente à integração universal, mas também engloba um contrassenso social.
Em segundo lugar, a OMS afirma que a depressão, além de ser caracterizada como “o mal do século XXI”, é catalisada pelo âmbito cibernético. Assim sendo, os efeitos prejudiciais advindos da “web” são causados pelo imediatismo que a instantaneidade virtual proporciona bem como a glamourização excessiva do cotidiano por parte de influenciadores. Em referência a este último ponto, diversos produtores de conteúdo contam com a seletividade expositiva, cortando os maus momentos na divulgação rotineira e romantizando excessivamente o cotidiano. Por este motivo, muitas pessoas adquirem transtornos quando equiparam a sua realidade com a suposta vida do influente. Em conclusão, as consequências da idealização são significativas e, com efeito, fomentam grandes males na era digital.
Infere-se, portanto, a necessidade de resolução dos impasses supracitados. Nesse sentido, a CONAR (Conselho Publicitário), principal agente da publicidade, deve investir na criação de propagandas conscientizadoras por meio de estudos sociológicos acerca da ilusória integração mundial. Além disso, o Ministério da Saúde tem de elucidar as causas aceleradoras do “mal do século” para que a superexposição advinda da Terceira Revolução Industrial não faça parte da origem do problema, mas uma ferramenta que conecte as culturas de maneira saudável.