Superexposição nas redes sociais

Enviada em 21/06/2021

No episódio “Queda Livre” do seriado Black Mirror, a protagonista vive uma realidade em que cada titude vivenciada na vida real é avaliada externamente pelos usuários das redes, através de publicações, sendo as notas dadas pelos acontecimentos, eterminantes para o status social de cada indivíduo, em uma hierarquia de privilégios definida por notas virtuais de aprovação. Fora da ficção, atualmente, percebe-se que os mundos real e virtual não caminham de forma distante, pelo contrário, se interligam de tal maneira que a reputação nas mídias compõe a auto-imagem dos sujeitos, bem como possuem influência sobre seu cotidiano. Visto isso, faz-se imperiosa a análise dessa conjuntura, com o intuito de compreender as origens desse comportamento e suas consequências na contemporaneidade.

Em primeiro plano, é importante ressaltar de que maneira a infiltraçãoda internet na vida cotidiana afetou as relações sociais. Segundo o sociólogo, Zygmunt Bauman, criador do conceito “sociedade líquida”, as relações humanas estão cada vez mais superficiais e efêmeras justamente pelo compotamento de supervalorização do meio digital, que de fato gerou grandes confusões perceptivas na vida humana. Além disso, a “sociedade do espetáculo”, formulada por Guy Debord, também se relaciona à liquidez de Bauman, mas transparecendo o lado da necessidade de exibição, fundamentada na atenção recebida. Sendo assim, diversos usuários caem no erro da exposição excessiva, colocando publicamente informações pessoais e muitas vezes impróprias, que, mesmo após serem apagadas, estarão eternamente registradas na mídia.

Vale ressaltar, ainda, que tal problemática vendo sido exponencialmente ampliada durante as últimas décadas, gerando um cenário preocupante à sua resolução. De acordo com o IBGE, aproximadamente 181,1 milhões de brasileiros estão conectados às redes, sendo 98% de ativos, dado que evidencia o crescimento dessas ferramentas digitais, e por conseguinte suas consequências na vida humana. No documentário “O Dilema das Redes Sociais", da plataforma Netflix, os especialistas entrevistados afirmam que as mídias iniciaram uma percepção de “bolha social” nos usuários, uma vez que controlam aquilo que aparece mais para cada sujeito, dessa maneira, criando um ambiente de conforto, artificialmente criado, que também favorece a exposição excessiva e impulsiva.

Portanto, urge que os Ministérios da Educação e Tecnologia trabalhem em conjunto em prol da minimização dos impactos negativos causados pela superexposição, através do financiamento de campanhas que conscientizem a população acima do funcionamento das redes sociais, e de medidas que ajudem os usuários a desviarem de possíveis problemas que o mal uso possa gerar, orientando os cidadãos e visando, assim, a utilidade benéfica, revertendo o possível cenário de “Black Mirror”