Superexposição nas redes sociais
Enviada em 09/08/2021
Na série norte-americana “You”, o gerente de livraria Joe conhece uma garota e se apaixona. Ao descobrir seu nome, recorre à internet para encontrar tudo sobre a sua vida, afinal todas as suas redes sociais são públicas e tudo, inclusive o seu endereço, está disponível a qualquer pesssoa. Fora da ficção, é fato que muitos brasileiros, em razão da busca por prestígio e status social, vivenciam situação semelhante ao virtualizarem incontáveis informações pessoais e , consequentemente , facilitarem a ocorrência de crimes cibernéticos. Logo, é essencial uma mudança de postura da sociedade a fim de minimizar os impactos da superexposição nas redes.
Em primeira análise, é válido ressaltar que a internet trouxe consigo a necessidade de reconhecimento, o qual é determinado pela quantidade de curtidas, comentários e compartilhamentos nas redes sociais. Nesse aspecto, a busca por prestígio e status leva inúmeros individuos a transformarem o meio virtual em um verdadeiro diário, no qual são postados conteúdos íntimos- como a localização- de forma automática e impensada. Sob esse viés, o sociólogo Guy Debord institui o conceito de “Sociedade do Espetáculo”, na qual os cidadãos são transformados em plateia passiva e as grandes questões sociais, em imagens a serem consumidas, assim os indivíduos expõem sua vida a fim de torná-la um símbolo de consumo e atingir seu principal objetivo: o reconhecimento demasiado. Destarte, esse conceito auxilia a compreender a atual concepção de vida: espetacularizada.
Ademais, é conveniente destacar a principal consequência do exibicionismo virtual: o recrudescimento do número de crimes cibernéticos. Acerca dessa lógica, pode-se perceber que, ao virtualizar a vida real, ela se torna atrativa à pessoas mal intencionadas, as quais põem as vítimas em situação de vulnerabilidade diante de práticas primárias, como golpes e chantagens e, posteriormente, secundárias, como o assédio, o sequestro e a pedofilia. Sob essa óptica, o célebre Pierre Levy afirma que antigamente, o real e o virtual eram universos separados e diferentes, mas hoje são universos inseparáveis e complementares, logo atitudes, como a superexposição, nas redes geram consequências, muitas vezes, irreversíveis e indesejáveis na vida real.
Portanto, diante dos fatos supracitados, faz-se mister que as escolas, importantes instituições formadoras de opinião, desenvolvam, por meio de vastas campanhas, atividades sociais de esclarecimento acerca dos perigos da superexposição na internet, a fim de que o corpo social possa distinguir os limites entre público e o privado. Além disso, compete ao Governo Federal, a criação de delegacias digitais com o escopo de combater os deploráveis crimes cibernéticos ocorrentes. Somente assim, poder-se-á contribuir para que o drama narrado em “You”, seja, em breve, apenas ficção.