Superexposição nas redes sociais
Enviada em 04/09/2021
Em “O Auto da Barca do Inferno”, Gil Vicente, o pai do teatro português, tece uma crítica ao comportamento vicioso do século XVI. Fora da ficção, o Brasil do século XXI demonstra as mesmas conotações no que se refere a superexposição nas redes sociais, dado que o uso das redes tornou-se um validador do sentimento de pertencimento social. Nessa perspectiva, torna-se explícito que a concretude desse problema vem em virtude da alienação comportamental dos usuários e pelo fornecimento demasiado de informações pessoais.
Convém ressaltar, a princípio, que um fator determinante para a persistência do problema é a massificação informacional das redes como um moldador de comportamentos. Segundo Hannah Arendt, o impacto da indústria cultural é a homogeneização dos indivíduos, contribuindo para a formação de uma sociedade de massas. Dessa maneira, ao atingir um grande número de pessoas, os meios de comunicação conseguem difundir modelos de cultura planificados que não consideram às possibilidades diferenciadas de gostos e identidades. Dessa forma, sem uma educação que induza ao uso racional das redes, os indíviduos tem a sua opinião e comportamento moldados incoscientemente, dimuindo o poder de criticidade deles, gerando assim, um consumo desenfreado e vicioso, promovendo à alienação.
Outrossim, o fornecimento descabido de informações pessoais agrava ainda mais a situação. A série “You”, da plataforma de streaming Netflix, coloca em evidência a figura do stalker, o qual se utiliza de informações ofertadas nas redes sociais para perseguir as vítimas. É evidente que essa realidade não se restringe à série, já que é um dos riscos do fornecimento demasiado de informações nas redes sociais. Nessa conjuntura, é preciso educar os usuários para o uso consciente dessa plataforma, visto que ela é um atrativo para pessoas mal intencionadas.
É indubtável, portanto, que a conduta de superexposição nas redes sociais seja contornada. Para esse fim, o Ministério da Educação junto com os veículos midiáticos, devem por meio de palestras ministradas por psicológos, trasmitidas ao vivo nas redes sociais e nas emissoras de televisão, educar e conscientizar jovens e adultos sobre os perigos encontrados no uso das redes, a fim que os cidadãos compreendam a gravidade dessa superexposição para sua segurança e saúde, instruindo-os a buscar seus direitos quando se sentirem vítimas desse sistema. Pois, só por meio da educação o comportamento vicioso, citado por Gil Vicente, será superado e o aproveitamento dos benefícios das redes sociais será conquistado.