Superexposição nas redes sociais
Enviada em 16/09/2021
O episódio “Queda Livre” da série Black Mirror retrata um mundo distópico, no qual os indivíduos conquistam bens por meio da popularidade em um aplicativo, o que faz com que Lacie exponha uma vida diferente da que tem apenas para ser apreciada. De forma análoga à realidade, nota-se que, atualmente, várias pessoas também exibem sua intimidade nas redes sociais, muitas vezes de forma excessiva, para obter por status também. No entanto, a superexposição no meio digital caracteriza-se como um problema na socidade, uma vez que pode gerar a alienação e a frustração do indivíduo.
Inicialmente, um dos efeitos do exibicionismo digital é o alheamento da população em relação a aspectos do mundo real. Nesse sentido, para o filósofo Pierre Lévy, o ser humano, na atualidade, vive em uma sociedade hiperconectada, na medida que compartilha vários momentos e questões da vida pessoal de forma instantânea no ciberespaço. Diante dessa perspectiva, apesar de ser positiva em vários pontos, essa hiperconexão pode causar a alienação do indivíduo, uma vez que, para muitas pessoas, especialmente as crianças, os adolescentes e os jovens, que são mais presentes e ativos nas redes sociais, o consumo e a produção de conteúdos digitais são mais relevantes do que o contato com o espaço real e com pessoas físicas.
Além disso, outro risco da superexposição na internet é a insegurança gerada em relação a própria imagem, especialmente entre as mulheres. Em vista disso, o documentário “Miss Representative” evidencia como a indústria da beleza e da cirurgia plástica se beneficia com o exibicionismo digital ao criar modelos de perfeição a serem seguidos e comprados e, dessa forma, gerar lucros. Diante disso, muitas mulheres ao se depararem com a exposição excessiva de fotos que ostentam uma falta perfeição em redes como o Instagram, semelhante ao contexto do episódio supracitado, se frustram ao não se encaixarem nesse padrão e, por isso, podem desenvolver transtornos psicológicos, distúrbios alimentares e até mesmo se submeterem a procedimentos estéticos invasivos e de alto risco para a saúde.
Portanto, é necessário que o Ministério da Educação realize campanhas de conscientização nas escolas com a finalidade de diminuir a alienação de crianças e adolescentes, e para minimizar a frustação das meninas em relação ao próprio corpo. Essa medida deve ser feita por meio de palestras ministradas por pessoas influentes que demonstram uma realidade saudável nas redes sociais, como a atriz Fernanda Concon, que usa constantemente o seu Instagram para transmitir conhecimentos relevantes sobre atualidades e política, por exemplo, e que também critica a superexposição de modelos inalcançáveis de beleza, inclusive de cirurgias estéticas.