Superexposição nas redes sociais
Enviada em 07/10/2021
De acordo com o conceito de “Sociedade do Espetáculo”, do escritor francês Guy Debord, o mundo moderno caracteriza-se por uma realidade construída a partir do enaltecimento da imagem pessoal. Com base nisso, essa visão é evidente quando vislumbrada a atmosfera da superexposição nas redes sociais. Nesse sentido, no que tange a esse estorvo, dois fatores são cruciais para serem revistos: a busca por prestígio social no âmbito midiático e os riscos à segurança dos usuários.
Em primeira análise, cabe pontuar o impacto da necessidade de aceitação, em especial pelos jovens do corpo coletivo contemporâneo, na persistência da problemática, uma vez que normaliza o exibicionismo exacerbado no contexto cibernético. A partir disso, conforme a teoria da “Modernidade Líquida”, o sociólogo Zygmunt Bauman aborda a fragilização das relações humanas, em virtude da procura por conexões virtuais e por ostentação. Nessa senda, é notório como, na conjuntura hodierna, existe um perceptível construto de naturalização do estilo de vida elitista e perfeito, marcado significativamente pelo status. Dessa maneira, em consonância com as ideias do autor, observa-se uma idealização, nas suas mínimas expressões, da vida nas redes sociais, engendrando, assim, a postagem excessiva e a subvalorização do aspecto pessoal.
Ademais, é imperativo destacar os perigos associados a superexposição dos internautas na internet como um dos fatores que validam o imbróglio, haja vista que contribuem para a criação de um cenário propício a ocorrência de crimes cibernéticos. Nesse aspecto, em um episódio da série norte-americana “Euphoria”, da plataforma televisa HBO, é retratado a história de Cassie, cujos vídeos íntimos são vazados por um parceiro amoroso. Sob esse viés, o compartilhamento de informações particulares nos meios de comunicação de massa, a exemplo do Instagram, não raro, possibilita a ação dos intitulados hackers. Desse modo, a exibição constante da vida privada no panorama virtual torna os dados dos indivíduos mais vulneráveis e ameaça tanto a integridade física, quanto a psicológica desse grupo.
Verifica-se, portanto, a necessidade de medidas capazes de minimizar esse quadro. Para tanto, urge que as instituições de ensino, em parceria com Organizações Não Governamentais, realizem amplos debates acerca das distorções do ambicionismo digital, por intermédio de palestras e transmissões onlines promovidas por ONG’s ligadas a esse aspecto comunitário, com o fito de diminuir a alta exposição nas redes midiáticas. Outrossim, é imprescindível que o Ministério da Saúde, mediante investimentos estatais, intervenha socialmente através de campanhas publicitárias que relatem os riscos do exibicionismo nas tecnologias de informação, com o objetivo de reduzir as taxas de crimes cibernéticos. Destarte, será possível desconstruir o panorama discutido por Guy Debord.