Superexposição nas redes sociais
Enviada em 03/11/2021
No conjunto de sua obra, o sociólogo Zygmunt Bauman propôs várias reflexões sobre a modernidade, a qual adjetivou, metaforicamente, como líquida. Dessa forma, tal qual o líquido flui com rapidez, a vida moderna torna-se marcada pela efemeridade, imediatismo e por uma tendência ao individualismo. De maneira análoga a esse pensamento, encontra-se o comportamento social no meio digital, tendo em vista que os usuários exibem exacerbadamente sua vida particular, extrapolando os limites do público e do privado. Assim, é preponderante destacar, que essa característica insipiente é prejudicial tanto para a integridade pessoal quanto para a saúde mental.
Inicialmente, a Declaração Universal dos Direitos Humanos, garante em seu artigo 12º a proteção do ser humano contra ataques em sua vida privada. Entretanto, com o alto número de informações publicadas nas redes, ocorre a facilitação para que pessoas de má índole encontrem o que desejam com a intenção de praticarem atos ilícitos, como roubos e sequestros. Um exemplo disso, foi o ocorrido com a apresentadora Ana Hickmann, a qual sofreu perseguição por um maníaco armado, que descobriu onde ela estava localizada. Desse modo, fica evidente o quanto práticas altamente cultivadas nas mídias sociais, consideradas inofensivas, podem ser prejudiciais à segurança do indivíduo.
Outrossim, é perceptível que a pseudoperfeição disseminada nas redes, faz com que os usuários fiquem suscetíveis à degradação da saúde mental. Nesse sentido, vê-se a propagação de um projeto de vida inatingível nas mídias sociais, visto que há um culto a felicidade constante e ao luxo, demonstrando um poder ostensivo. Essa postura, reflete a ideia do filósofo Karl Marx sobre “fetichismo da mercadoria”, na qual há uma devoção irracional a um bem simbólico, sinônimo de status. Com isso, aqueles que vivem na realidade, ou seja, na presença de intercorrências, ao verem essa vida luxuosa, sentem-se incapazes e insuficientes por não terem atingido esse padrão. Desse modo, esses indivíduos ficam sujeitos a transtornos psicológicos, como depressão e ansiedade.
Portanto, faz-se necessário minimizar o exibicionismo da vida nas redes sociais. Para isso, cabe ao Ministério da Educação criar propagandas sobre os riscos que a exposição da privacidade traz para a integridade pessoal e alerta da falsa realidade mostrada no meio digital. Essa ação, deve ser publicado por meio das mídias sociais, como Instagram e Facebook, para que, dessarte, a população torne-se mais cautelosa e seletiva no que deseja ver. Espera-se, também, que o corpo social distancie-se mais das redes e aumente suas interações físicas, deixando de lado a fluidez dita por Bauman.