Superexposição nas redes sociais

Enviada em 11/11/2021

O psicólogo Lev Vygotski em sua teoria da interação social afirma que à partir da interação entre diferentes sujeitos se estabelecem processos de aprendizagem e, por consequência, o aprimoramento de suas estruturas mentais existentes desde o nascimento e neste processo, o ser humano necessita estabelecer uma rede de contatos com outros seres humanos para incrementar e construir novos conceitos. Em cada tempo isso aconteceu de uma forma única e hoje se dá por meio da internet, uma ferramenta de fácil uso e acesso. Porém, muitas vezes, os indivíduos que fazem uso deste recurso se superexpõem e isto pode causar-lhes prejuízos.

A jovem Lara da Silva foi uma vítima das consequências da superexposição nas redes após a publicação de um vídeo em que aparece trocando agressões com uma colega de escola. A briga entre as duas garotas foi compartilhada no mesmo dia nas redes sociais por um dos jovens que acompanhou o episódio. O vídeo logo viralizou, a frase “Já acabou, Jéssica?” se tornou meme e mudou completamente a vida de Lara que, após a repercussão, se tornou alvo de bullying, abandonou a escola  e começou um tratamento psiquiátrico. Isso prova que a crescente exposição das pessoas nas redes sociais pode prejudicar a integridade pessoal, moral e física dos usuários, que inicialmente não veem as consequências de suas exposições e acabam sendo vítimas de pessoas “mal intencionadas”.

Apesar de o vídeo de Lara ter sido publicado sem o seu consentimento, muitos expõem sua vida particular ao mundo todo propositalmente e sem saber que essa atitude pode trazer consequências irreversíveis. Ao postar informações pessoais de forma inocente, o usuário não percebe que pode estar na mira de criminosos, hackers ou até mesmo pedófilos. Na série de televisão “Euphoria”, a jovem Jules após compartilhar suas fotos íntimas com um amigo, é ameaçada por este e se torna vítima de preconceito por outros indivíduos ao seu redor. Situações como esta, são incrivelmente comuns na vida de muitos usuários de redes sociais, principalmente adolescentes, que se expõem de maneira exacerbada e acabam sofrendo sérios danos à sua integridade.

Portanto, o Ministério da Educação(MEC) junto com escolas e ONGs deve promover palestras com professores e psicólogos, para conscientizar e educar os jovens sobre o assunto desde cedo, para que estes compreendam a gravidade da superexposição nas redes sociais. Também devem ser criados órgãos específicos destinatários de denúncias de cyberbullying que tomem providências, incluindo multas ou prisões para os agentes do ato(dependendo do grau de constrangimento), para, dessa maneira, diminuir os casos e consequências, bem como, os crimes virtuais decorrentes desta superexposição.