Superexposição nas redes sociais

Enviada em 10/08/2022

Na obra do célebre escritor José Saramago, “Ensaio sobre a Cegueira”, é retratada uma sociedade em que seus habitantes estão completamente inseridos no egocentrismo, ou seja, estão cegados. Fora da ficção, o mesmo é identificado no Brasil hodierno, tendo em vista que a população está cada vez mais individualista e alienada mediante a superexposição nas redes sociais. Isso posto, vale ressaltar a idealização social e a exclusão populacional como agravantes dessa problemática.

Nesse sentido, é notório que as vidas exaltadas nas mídias digitais são projeções utópicas da realidade. Sob essa ótica, cabe aludir ao pensador Thomas Moore, em sua obra “Utopia”, em que o filósofo discorre sobre a tendência individual de idealizar uma realidade isenta de conflitos e repleta de máscaras. Paralelo a isso, as redes sociais exercem o mesmo papel de criar uma vivência sensacionalista, haja vista que são propagados vídeos e fotos que vão de encontro à realidade. Com efeito, consagra-se uma sociedade completamente alheia aos fenômenos atuais e que possui desafios para ultrapassar a idealização.

Ademais, é fato que a segregação social advém de um ciclo de exclusões. Sob esse viés, cabe mencionar o pensamento da alemã Hannah Arendt, em seu conceito de ‘‘banalidade do mal’’, em que a escritora reflete acerca da alienação social, ou seja, a incapacidade individual de se preocupar com os problemas sofridos por outrem. Nessa perspectiva, a sociedade atual é caracterizada pela filósofa como uma comunidade discriminatória, o que pode ser identificado nos comportamentos hediondos e segregacionistas encontrados nas mídias digitais. Em suma, o egocentrismo ocasionado pelo vício nas relações digitais é o precursor da exclusão social explorada por Arendt.

Infere-se, portanto, que medidas devem ser tomadas para erradicar a superexposição nas redes socias. Para tanto, compete às instituições sociais, como a família e as escolas, fomentarem a inclusão fora do meio virtual, através de encontros reais sem o uso de aparelhos digitais, com o intuito de aprofundar as relações interpessoais fora das redes. Além disso, cumpre à mídia -responsável pela informação- criar campanhas de conscientização, por meio de emissoras, a fim de sanar a alienação sofrida pela populaçâo. Assim, viver-se-á em uma sociedade distante da distopia criada por Saramago.