Superexposição nas redes sociais

Enviada em 09/10/2023

O livro “Sociedade do Espetáculo”, de Guy Debord, afirma que as imagens midiáticas exercem um papel central nas relações sociais e que a vida em sociedade é cada vez mais “espetacularizada”. Com isso, ao se fitar o atual momento, notam semelhanças, uma vez que a superexposição nas redes sociais tem gerado empecilhos para a ordem social. Sendo assim, tem-se a ausência do ensino e a influência midiática como desafio no combate desse problema.

Sob esse viés, vale ressaltar que a falta de abordagem na formação educacional promove o desenvolvimento de pessoas alienadas. Nesse sentido, de acordo com o filósofo Tomás de Aquino, o Estado tem o dever de trabalhar para garantir o bem-estar social. Contudo, a prática é distinta da teoria, já que a educação digital é negligenciada, pois não faz parte da grade curricular das escolas, o que impede os alunos de entender a dimensão dos perigos que a superexposição nas redes pode provocar. Logo, fica evidente que a carência informacional expõe esses indivíduos aos riscos cibernéticos, como perseguições on-line e chantagens.

Ademais, outro vetor recai na atuação da mídia sobre as pessoas. Nesse contexto, conforme Noam Chomsky, os meios midiáticos têm a capacidade de fazer uma manipulação nas massas, por meio da introdução de práticas e ideias no imaginário coletivo. Desse modo, nota-se que, após a disseminação do uso das redes sociais – que pregam que quanto maior a constância da exposição, maior o engajamento e crescimento de “likes” e seguidores – houve uma crescente significativa da quantidade de indivíduos que mostram detalhes do seu cotidiano em suas contas, tornando-se completamente vulneráveis.

Depreende-se, portanto, que o Ministério da Educação, órgão responsável pelas políticas públicas de ensino, em parceria com o Ministério da Ciência, Tecnologias e Inovações, deve trabalhar na inserção da discussão do tema nas escolas, por meio de alterações na grade curricular que incluam a educação digital como disciplina, a fim de que sejam formados cidadãos mais reflexivos, menos alienados e conhecedores dos perigos da superexposição na internet. Com essa ação, os brasileiros poderão encerrar a vivência do cenário descrito por Debord.