Tabagismo no século XXI: problemas e consequências

Enviada em 21/08/2020

No contexto da pós Segunda Guerra Mundial, entre os anos de 1960 e 1970, o consumo de tabaco foi estimulado por meio das propagandas, as quais associavam o produto ao status e ao glamour. Hodiernamente, a persistência do tabagismo no século XXI está associada à pobreza, a qual dificulta o acesso à informação, e ao preço acessível dos cigarros, que possibilita a aquisição por considerável parcela da sociedade. Nesse viés, ocorrem consequências de ordem individual e coletiva, associadas à intensificação da miséria e a dependência química. Diante disso, tornam-se fulcrais políticas públicas e sociais voltadas à redução do número de fumantes no Brasil, a fim de preconizar o bem-estar social.

Nesse sentido, entender o tema é não desconsiderar o direito à educação pelos cidadãos, defendido pela Constituição Federal de 1988, com vistas à assegurar a saúde dos brasileiros. Não obstante, vê-se a relação entre o descumprimento do Código e o tabagismo acentuado nas classes socioeconomicamente menos favorecidas. Por essa ótica, tal questão relaciona-se com a dificuldade de acesso às escolas por essa parcela da sociedade, nas quais os malefícios do cigarro são abordados, o que induz o indivíduo ao desenvolvimento da visão crítica e, concomitantemente, à evitá-lo. Soma-se a isso o preço baixo atribuído ao tabaco, o qual promove a acessibilidade às diversas camadas sociais e o seu consumo desenfreado. Por tais razões, de acordo com dados do Vigitel, de 2019, o percentual de fumantes com dezoito anos ou mais corresponde à cerca de 10% da população brasileira.

Outrossim, a prática colabora com o círculo vicioso da pobreza no País, haja vista o desencadeamento de doenças crônicas pelo tabaco, como diabetes, hipertensão e câncer, as quais deterioram o condicionamento físico do usuário. Concomitantemente, vê-se o surgimento de problemas financeiros e o agravamento da situação de miséria, devido ao comprometimento da capacidade de trabalho do indivíduo efêmero. Além disso, a nicotina, princípio ativo presente no tabaco, é responsável pela sensação de prazer instantâneo, a qual induz a pessoa ao consumo frequente e, a longo prazo, à dependência química. A partir de tal constatação, ganha relevância o conceito de Habitus, do sociólogo Pierre Bourdieu, segundo o qual a repetição de costumes tende a perpetuá-los nas gerações.

Diante desse cenário, medidas são necessárias a fim de atenuar o problema. Para tanto, o Ministério da Saúde deve conscientizar a população carente acerca dos malefícios advindos do tabagismo, por meio da promoção de feiras culturais nas comunidades, conduzidas por especialistas em tabagismo, com o fito de estender o direito à informação aos mais pobres. Ademais, o Ministério da Fazenda deve elevar o custo do cigarro, a partir da inclusão de taxas e impostos sobre o produto, a fim de reduzir o seu consumo. Com tais ações, será possível frear as consequências do Habitus, de Bourdieu, no Brasil.