Tabagismo no século XXI: problemas e consequências

Enviada em 19/08/2020

Segundo o filósofo John Locke, o ser humano nasce como uma folha de papel em branco que, por meio da experiência, ou seja, o que ele adquire a partir do exterior, vai preenchendo-se. Tal afirmação demonstra que o indivíduo é influenciado pelo meio em que vive, seja por estímulos midiáticos ou pela sociedade. Apesar da aprovação da Lei Antifumo, em 2011, que determinou a colocação de alertas sobre os malefícios do fumo nas embalagens, entre outras mudanças, a cultura do tabagismo permanece enraizada na sociedade, devido a mídia sensacionalista dessa indústria. Assim, medidas públicas são fundamentais para reduzir essa prática mortal e auxiliar os sintomas de abstinência causados pela nicotina, substância psicoativa do tabaco.

Em primeira análise, as representações cinematográficas influenciam e moldam o estilo de vida de parte da população. De acordo com os dados de uma pesquisa feita pela Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2014, cerca de 44% das produções de Hollywood exibem consumo de cigarro. Sob essa perspectiva, a indústria do tabaco utilizou o cinema para aumentar seu poder e seu mercado consumidor, por meio de propagandas veladas nos filmes. Tal publicidade nos meios de comunicação era eficaz, pois inventaram uma pseudociência ao relacionar o cigarro à falsa imagem de sucesso, popularidade e “glamour”, o que culminou na intensificação do ato de fumar, já que tornou-se uma demanda social.

Em segunda análise, o filme “Obrigada por fumar”, uma alegoria da realidade, explicita como a manipulação psicológica é utilizada para o aumento dos lucros. O protagonista é um lobista, porta-voz das grandes empresas de cigarros, que ganha a vida defendendo os diretos dos fumantes por meio de estratégias de argumentação. Percebe-se, desse modo, os mecanismos de persuasão da indústria sobre a sociedade, porque ao mesmo tempo em que defendem o exercício do livre arbítrio, a população é bombardeada com publicidades e propagandas frequentemente. Assim, os indivíduos são estimulados a consumir até encaixar-se em determinado padrão de vida, o que, consequentemente, gera lucratividade para a empresa.

Em suma, visto que o abuso do tabaco é prejudicial à saúde clínica e expectativa de vida do ser humano, medidas são necessárias para amenizar essa prática. Assim, cabe ao terceiro setor, formado por associações que buscam melhorar a qualidade de vida do povo, ampliar a quantidade de grupos de apoio aos fumantes, por meio de divulgações na internet e financiamento coletivo. Ademais, urge que o Ministério da Saúde, ao utilizar verbas governamentais, forneça ferramentas eficazes para a população abandonar o vício do cigarro, como apoio psicológico e psiquiátrico gratuito nos postos de saúde.