Tabagismo no século XXI: problemas e consequências
Enviada em 21/08/2020
No cenário de imediatismo atual, de acordo com o filósofo Zygmunt Bauman, o tabaco serve como uma válvula de escape para o estresse do cotidiano. Sob tal ótica, é notório que os indivíduos passaram a priorizar, no contemporâneo, o uso de substâncias entorpecentes para o alívio do nível de tensão e de sobrecarga psicológica diária, algo grave, que precisa urgentemente ser desconstruído. Com efeito, hão de se combater os dois principais percalços dessa questão: a preocupação com o futuro e a fácil aquisição de cigarro.
Em primeiro plano, a ansiedade representa um dos principais fatores para desencadear a dependência do tabaco. Isso ocorre, deserto, por conta de mais de 200 compostos químicos presente no cigarro que, ao entrarem em combustão, fornecem ao indivíduo a sensação de alívio. Entretanto, dada a rápida absorção pelo organismo desses compostos inalados, tal efeito é momentâneo e, ao demandar mais e mais seu consumo, configura-se, portanto, como: um vício. Dessarte, é inaceitável que autoridades brasileiras, ante a gravidade do cenário, não invistam em políticas públicas para evitar que as pessoas internalizem a instantânea sensação de bem-estar provocada pelo consumo de cigarro.
De outra parte, a acessível aquisição do fumo figura como outro desafio para o fim desse vício no país. Sob tal ótica, o sociólogo Pierre Bourdieu desenvolveu o conceito “Habitus” – um princípio da ação social nas pessoas. Desse modo, os estímulos presentes na rotina de um usuário, conforme disserta Bourdieu, em que se mantém o contato com situações, ambientes e pessoas que o desencadeiam, é um obstáculo para sua permanência. No entanto, esse é um comportamento inadequado em uma sociedade que zela pela saúde de seus habitantes, pois fere uma das peças-chave da dignidade da pessoa humana - a saúde. Lê-se, pois, como grave, diante de tão nocivo cenário: a cultura do fumo.
Impende, portanto, apresentar caminhos para que o tabagismo deixe de ser realidade no Brasil. Para tanto, o Ministério da Saúde deve apresentar os malefícios do cigarro, além dos impressos nas embalagens dos cigarros, por meio de documentários em programas de amplo alcance como o Fantástico, e exibir em forma de documentário, depoimentos de indivíduos que desenvolveram doenças pulmonares, a fim de gerar repúdio social a esse vício tão nocivo. Além disso, as escolas, deverão fazer uma campanha de conscientização chamada: “Viva Sem Drogas“, com suporte de pedagogos e psicólogos, informando em linguagem acessível os danos causados pelo cigarro, com o propósito de atuar em sua prevenção. Feito isso, a assertiva de Bauman deixará, em breve, de ser a corriqueira na nação verde e amarela.