Tabagismo no século XXI: problemas e consequências
Enviada em 23/08/2020
Na década de 50, as propagandas televisivas de cigarro eram comuns. A partir de 1990, com as demonstrações científicas de seus malefícios, a maior parte dos países passaram a coibir o uso desse produto, a exemplo do Brasil. No entanto, a glamorização do tabaco, ainda presente na mídia do século XXI, e a influência dessa indústria são problemas que dificultam o combate ao tabagismo no país, o que contribui para a manutenção de suas consequências.
Diante disso, é indubitável que a utilização corriqueira do cigarro, nos atuais programas televisivos, esteja entre as causas dessa preocupante realidade nacional. Segundo a entidade Thuth Orange, 1 em cada 3 adolescentes iniciam o ato de fumar pela influência de seriados e de filmes. Tal dado evidencia o papel das mídias na continuidade do tabagismo no Brasil, em especial entre os jovens, os quais, sem orientação, passam a visualizar no tabaco uma forma de ascensão e de aceitação social por seus pares - cosmovisão derivada da frequente glamorização midiática desse produto maléfico. Como resultado tem-se a ampliação de agravos de saúde, como o câncer de pulmão e a infertilidade, entre o público juvenil, segundo a Organização Mundial de Saúde.
Outrossim, o forte poder político e econômico da indústria tabagista agrava esse quadro. Nesse sentido, embora o governo brasileiro tenha elevado as taxas de impostos sobre o cigarro, a utilização de subterfúgios pela cadeia produtiva desses materiais, a exemplo da saborização e dos dispositivos eletrônicos para fumar, contribuem para a atração populacional ao seu consumo, segundo o Ministério da Saúde. Essas manobras inaceitáveis são possíveis pela forte influência dessa indústria na política brasileira e pelos lucros gerados com a venda de seu produto, o qual possui um alto impacto econômico para o país, especialmente na saúde.
Dessa forma, urge que o Estado brasileiro tome medidas diligentes que ampliem o combate ao tabagismo. Destarte, o Ministério da Educação e a sociedade civil organizada devem cobrar dos meios de comunicação a redução do glamour atribuído ao cigarro em suas produções, bem como informar a sociedade quanto aos perigos dessa mercadoria, mediante campanhas publicitárias nas tvs e nas redes sociais, com participação de autoridades de saúde, a fim de reduzir a aceitação social e juvenil desse transtorno comportamental. O congresso brasileiro deve, ainda, por meio da mobilização parlamentar, aprovar leis que mitiguem as manobras da indústria tabagista para coibir a disseminação do fumo no país.