Tabagismo no século XXI: problemas e consequências
Enviada em 25/08/2020
John Locke, filósofo britânico considerado o pai do liberalismo, acreditava que o Estado não poderia ferir o direito de escolha dos cidadãos, mesmo que tais escolhas tragam consequências ruins para o próprio indivíduo. Entretanto, tal pensamento abre margem para escolhas individuais que indiretamente venham a ferir os direitos de terceiros, como o tabagismo, que acaba por afetar indivíduos próximos e a própria nação. Com isso, deve-se discutir os problemas e consequências do tabagismo no século XXI, principalmente ao que tange o fumante passivo e os danos à produtividade nacional.
De fato, o tabagista sacrifica a saúde de terceiros à sua volta, os fumantes passivos, que, mesmo sem utilizarem o cigarro, sofrem as consequências de um fumante ativo, já que segundo a Organização Mundial da Saúde, OMS, fumantes passivos possuíram uma chance consideravelmente maior de terem complicações quando internados com COVID-19. Ademais, gestações advindas de mulheres tabagistas podem resultar em uma má formação do feto, que pode levar a deficiências na formação da placenta e até a um aborto espontâneo.
Além disso, grande parte das complicações influenciadas pelo cigarro no Brasil, como o câncer de pulmão e doenças cardíacas, são tratadas pelo Sistema Único de Saúde, SUS. Tais tratamentos oneram o Estado por um problema que poderia ser evitado, resultando em gastos extraordinários para o Tesouro Nacional, que, devido à política do teto de gastos, acabam tendo que retirar dinheiro da educação ou infraestrutura, provocando enorme dano à produtividade nacional.
Vistas todas as questões anteriores, é inquestionável os danos à saúde própria e a de terceiros causados pelos tabagistas, além das complicações orçamentarias geradas. Sendo assim, faz-se necessário que o Ministério da Saúde crie uma plataforma digital para o combate do tabagismo, disponibilizando, por meio da internet, psicólogos e médicos especializados que consigam dar suporte virtual a tabagistas, visando o abandono do cigarro. Junto a isso, o deve-se criar, em conjunto com o Ministério da Economia, um contador de gastos com doenças atreladas ao tabagismo, dando-os ciência dos gastos realizados.