Tabagismo no século XXI: problemas e consequências

Enviada em 01/09/2020

De acordo com a Agenda 2030, elaborada pela Organização das Nações Unidas (ONU), controlar o tabagismo é um dos principais objetivos para o desenvolvimento sustentável. Nesse viés, torna-se clara a necessidade do debate acerca da problemática no século XXI, em função de sua preocupante gravidade. Tal situação é corroborada, principalmente, pelo escasso engajamento de autoridades públicas mundiais e por graves fatores midiáticos relacionados à busca pelo lucro.

Em primeiro plano, é fundamental ressaltar que a atuação dos países no combate ao tabagismo é extremamente heterogênea. Sob esse prisma, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), Brasil e Turquia são as únicas nações que implementaram ações governamentais de sucesso para a redução do consumo de tabaco. Desse modo, infere-se a urgência de atitudes efetivas dos demais Estados do mundo, porquanto o uso da droga é fator de risco para o desenvolvimento de doenças graves e para a transmissão do atual coronavírus, de acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA). Sendo assim, é evidente que a ausência de políticas públicas em larga escala, de combate ao tabagismo, produz sérios danos à saúde coletiva no cenário hodierno.

Ademais, o apelo propagandístico das empresas vendedoras de tabaco impacta diretamente a problemática em questão. Acerca disso, é imperioso destacar que tal postura midiática é reflexo direto da chamada ‘‘indústria cultural’’, estudada pelos sociólogos Adorno e Horkheimer, que ressalta a mercantilização de hábitos e gostos culturais, sempre visando o lucro. Dessa maneira, as propagandas de tabaco estimulam a manutenção do vício nos usuários, além de incitarem outros indivíduos a aderirem à droga, porquanto fitam apenas os benefícios financeiros advindos da comercialização em massa do produto. Por conseguinte, o objetivo supracitado pela ONU, por meio da Agenda 2030, permanece longe de ser alcançado, tornando fundamental a adoção de medidas capazes de reverter esse infausto cenário.

Portanto, demonstra-se a relevância do debate acerca do tabagismo no século XXI. Logo, cabe à Organização Mundial de Saúde (OMS) a intensificação do combate ao consumo de tabaco em escala global, visando estimular o maior número possível de países a controlarem a propagação do produto. Tal medida consiste no auxílio aos sistemas de saúde de diversas nações, mediante o fornecimento de assistência médica e informativa - visando combater os efeitos do tabagismo e orientar a população acerca de suas consequências. Outrossim, é imperioso o engajamento de determinados setores midiáticos no crescimento da divulgação dos perigos do uso do tabaco. Após tais medidas, mais países conseguirão reduzir o consumo do produto, a exemplo de Brasil e Turquia.