Tabagismo no século XXI: problemas e consequências
Enviada em 01/09/2020
O ato de fumar é um costume que teve seu significado adaptado em diferentes contextos ao longo da história: primeiro, com o consumo em rituais religiosos, para então se estender aos marinheiros que faziam o transporte do tabaco das Américas para a Europa, entre aos artistas e aos escritores e para se tornar, dessa forma, um hábito comum ao redor do mundo. Mesmo que seja um produto extremamente prejudicial à saúde, continua a ser consumido amplamente, causando perdas humanas escusáveis.
Esse consumo foi impulsionado principalmente na metade do século passado e, apesar de ter regredido um pouco, continua presente em boa parcela da população mundial. Embora os prejuízos relacionados ao uso indiscriminado desse produto sejam amplamente difundidos – inclusive nas próprias embalagens – a completa proibição ao uso de fumígenos derivados do tabaco iria de encontro à Constituição, que garante o direito à liberdade individual. Uma vez que uma intervenção direta na esfera privada seria inconstitucional, existem alternativas possíveis que amenizam os efeitos desagradáveis ocasionados por esse hábito, que já foram implantadas em outros sistemas de saúde.
A exemplo da política de redução de danos adotada pelo NHS (“National Health Service”, do Reino Unido), o uso de cigarros pode ser substituído por dispositivos eletrônicos de fumar (DEFs), visivelmente menos agravadores da saúde, já que a falta da combustão em seu uso impede a inspiração dos piores componentes dos cigarros tradicionais: o alcatrão e o monóxido de carbono. Ainda faz-se o uso de adesivos de nicotina, o princípio ativo viciante presente no tabaco. A questão da dependência de nicotina está intimamente ligada à saúde pública, explicando, assim, o interesse das organizações de saúde em controlar esse hábito contraditório que, ao mesmo tempo que é um exercício da liberdade individual, pode intervir diretamente no direito à saúde de outrem – os fumantes passivos. Ademais, o fumo causa inúmeros problemas à saúde do fumante, sendo uma das principais causas de morte evitáveis no mundo.
Portanto, a fim de conservar os direitos individuais e ao mesmo tempo preservar a integridade da saúde pública, pode-se implementar programas de educação sanitária nas escolas e também políticas de redução de danos em postos de saúde, na atenção primária, em uma ação do Ministério da Saúde e do SUS, atuando também com as entidades da educação; além disso, faz-se necessária uma maior regulação na produção de fumígenos por parte da Anvisa, para que seus efeitos não sejam tão prejudiciais para as pessoas ao redor do fumante. Dessa maneira, os jovens estarão mais conscientes acerca dos perigos advindos do fumo e os fumantes terão alternativas menos danosas que ainda auxiliam ao abandono dessa prática.