Tabagismo no século XXI: problemas e consequências

Enviada em 04/09/2020

Em 1955, a indústria tabagista lançou sua principal campanha midiática, conhecida como “cowboy da Marlboro”, com o intuito de incentivar o uso do cigarro. Todavia, o hábito de fumar, fomentado desde o século passado, se mostra como um grave problema de saúde pública, visto que apresenta relação com muitas enfermidades. Nesse sentido, é necessário analisar e combater tal impasse, intrinsecamente ligado à influência da mídia sobre a sociedade.

Em primeiro plano, é importante ressaltar que a primeira propaganda do tabaco ocorreu no início do século XX, com foco nas mulheres, haja vista que os homens estavam ligados ao período da Primeira Guerra Mundial. O objetivo de centralizar a publicidade no público feminino foi de impulsionar a liberdade e o empoderamento. Sob esse âmbito, mesmo com a proibição de propagandas de cigarro em 2019, a sociedade brasileira ainda é influenciada pela noção de autonomia trazida pela indústria tabagista, e atinge, principalmente, os jovens, segundo uma pesquisa do Hospital Alemão de Oswaldo Cruz. Em meio a isso, uma analogia com a obra “Príncipe Eletrônico” de Octavio Ianni mostra-se possível, uma vez que o sociólogo afirma que o poder da mídia é tão grande que pode traçar hábitos e costumes, nesse caso, o fumo.

Outrossim, é imperativo pontuar que o vício no tabaco traz consigo altas chances de acarretar doenças do aparelho respiratório, além de vários tipos de câncer. Como exemplo, toma-se o ator Eric Lawson, que era cowboy nas propagandas da Marlboro e morreu aos 72 anos, vítima de doença pulmonar obstrutiva crônica. Nessa ótica, é inequívoco que os malefícios do tabaco atinge toda a população, o que fica perceptível com os dados do Ministério da Saúde, em que esse vício causou um prejuízo de quase 60 milhões nos anos anteriores, por conta de despesas médicas. Logo, é substancial a mudança desse quadro.

Destarte, a partir dos fatos supracitados, fica evidente a premência de intervenções no atinente ao combate contra a epidemia tabagista. Portanto, o Ministério da Saúde, em parceria com a mídia, deve lançar campanhas publicitárias, que evidenciem as consequências do vício no cigarro, por meio da disseminação de casos críticos, causados pelo tabagismo. Esse projeto deverá focar, também, em planos que auxiliem o indivíduo a superar essa dependência, a fim de minimizar a problemática e os impactos causados por ela. Assim, a qualidade de vida dos indivíduos será garantida, o que, para o filósofo Platão, tem tamanha importância que ultrapassa a própria existência.