Tabagismo no século XXI: problemas e consequências

Enviada em 10/09/2020

O escritor inglês, Thomas More, na obra Utopia, retrata uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de problemas e conflitos. Entretanto, no cenário brasileiro hodierno, observa-se o oposto difundido pelo autor, visto que os problemas e consequências do tabagismo estão presentes de forma banalizada em pleno século XXI. Nesse contexto, deve-se analisar como o livre acesso ao tabaco e a negligência familiar coadunam-se para o agravamento da problemática em questão para solucioná-la.

Observa-se,inicialmente, que a facilidade de acesso ao tabaco é a principal responsável pelo  problema. Isso ocorre porque, como afirma o físico Isaac Newton em sua terceira lei, toda ação há sempre uma reação de igual intensidade. Nesse sentido, à medida que o tabagismo é banalizado ao se permitir o livre acesso, o consumo desenfreado e suas consequências crescem em iguais proporções e intensidade. Desse modo, a contemporaneidade capitalista preocupa-se apenas com a questão monetária e as formas de acesso se intensificam no comércio. No entanto, cabe ressaltar que, segundo o Ministério da Saúde - MS, o Brasil tem prejuízo anual de R$ 56,9 bilhões com o tabagismo,uma vez que os gastos com a saúde dos fumantes é maior que o lucro obtido com os impostos de venda. Logo, nota-se a interferência do tabaco na saúde humana e na economia.

Em segunda instância, é imperativo pontuar que a negligência familiar também contribui para a manutenção desse impasse. De acordo com o sociólogo Talcott Parsons,a família é formadora de caráter, logo, deve ser exemplo de referência na vida do indivíduo. Sob esse óptica, os familiares que têm o habito de consumir o tabaco e não restringem a prática mesmo perto de quem não fuma servem de influência, principalmente para menores, posto que naturalizam como um hábito conveniente e normal para a família. Como consequência, o número de fumantes aumentam gradativamente e por conseguinte os casos de morte, como afirma o MS, em 2015, morreram no país 256.216 pessoas por causas relacionadas ao tabaco,o que evidencia um descaso humano com a própria saúde.

É indubitável, portanto, que no Brasil se repense a questão do tabagismo. Por isso, cabe ao Estado, em parceria com o Ministério da Saúde criar uma proposta que implique na redução do consumo, por meio do aumento no preço dos cigarros. Mas também a mídia deve falar mais sobre a necessidade de diminuir o consumo e suas consequências, através de campanhas, novelas, filmes, etc. Dessa forma, a sociedade e a família poderiam ser conscientizadas e com tais medidas o número de fumantes e os casos de mortes relacionados diminuiriam. Destarte, e consoante com a sociedade estimada por Thomas More, a nação viverá próxima de uma contemporaneidade mais saudável.