Tabagismo no século XXI: problemas e consequências

Enviada em 14/09/2020

Em “ O auto da Barca do Inferno”, Gil Vicente, o pai do Teatro português, tece uma crítica ao comportamento vicioso do século XVI. Fora da ficção, o Brasil do século XXI demonstra as mesmas conotações no que se refere aos problemas e consequências do tabagismo no país. Nesse contexto, torna-se evidente como causas o legado histórico, bem como o individualismo.

A princípio, é preciso apontar o legado histórico como um elemento propulsor do impasse. De acordo com o pensamento de Claude Lévi-Strauss, só é possível interpretar adequadamente as ações coletivas por meio do entendimento dos eventos históricos. Nesse sentido, o tabagismo, mesmo que fortemente presente no século XXI, apresenta raízes intrínsecas ao passado brasileiro, uma vez que o cigarro era visto como um status na sociedade, levando assim muitas pessoas a levarem esse vício de geração para geração, dificultando o combate a esse mal.

Outro ponto relevante, nessa temática, é o individualismo. Na obra “Modernidade Líquida”, Zygmunt Bauman defende que a sociedade atual é fortemente influenciada pelo individualismo. A tese do sociólogo pode ser observada de maneira específica na realidade brasileira, no que tange aos problemas do tabagismo, pois a maioria das pessoas que fumam diariamente, sabem o mal que isso trará para sua vida e mesmo assim não abandonam esse vício. Tornando isso, um grande empecilho para resolução do problema.

Logo, medidas são necessárias para alterar esse cenário. Cabe ao Ministério da Saúde, em parceria com o Ministério da Educação, demonstrarem, de forma aprofundada, a toda população fumante ou não fumante, as consequências que o tabagismo pode trazer, fazendo isso por meio de palestras ministradas por especialistas na área da saúde, em escolas e também aberta para pessoas de todas as idades, a fim de que toda a população saiba os riscos que estão colocando suas vidas e com isso pensem melhor antes de fumar.