Tabagismo no século XXI: problemas e consequências
Enviada em 14/09/2020
Em “O Auto da Barca do Inferno”, Gil Vicente, o pai do teatro português, tece uma crítica aos comportamentos viciosos do século XVI. Fora da ficção, o Brasil hodierno demostra as mesmas conotações no que se refere a questão do tabagismo, uma vez que o país enfrenta grandes desafios para controlar essa grave patologia. Nesse sentido, é preciso discutir que o impasse espelha não só a escassez de debates, mas também a insuficiência legislativa.
Convém ressaltar, a princípio, que a falta de diálogo se configura como um entrave para a resolução do problema. Sob essa perspectiva, o filosofo Habermas traz uma contribuição relevante ao defender que a linguagem é uma verdadeira forma de ação. Assim, para que a questão do tabagismo seja resolvida é necessário um debate amplo e elucidativo sobre. Percebe-se, entretanto, o oposto no social, uma vez que muitos fumantes banalizam o tema, justamente, por não terem a real noção dos malefícios que o produto traz. Desse modo, o consumo de tabaco que deveria ser encarado como uma seria doença passa a ser comum e rotineiro.
Ademais, é preciso salientar que há incapacidade das leis já existentes. Isso posto, é valido lembrar que o filosofo Maquiavel defende que “mesmo as leis bem ordenadas são impotentes diante dos costumes”. Dessa forma, é perceptível um erro muito comum das sociedades: acreditar que só a criação de leis em si pode resolver problemas complexos, como por exemplo a questão do tabagismo. Logo, o que se verifica é uma insuficiência da legislação se essa não vier atrelada a políticas públicas que ajam na base cultural do problema.
Dessarte, com o objetivo de promover debates que problematizam de fato o uso do tabaco, urge que o Ministério da Saúde, em parceria com as grandes, mídias faça campanhas informativas, por meio de canais de televisão e redes sociais. Ademais, essas devem conter dados e especialistas da saúde que atinjam um grande público, como o caso do médico Dráuzio Varella. Somente assim, com a formação de políticas públicas e um amplo debate e que o Brasil deixará de repetir comportamentos viciosos como em o “Auto da Barca do Inferno”.