Tabagismo no século XXI: problemas e consequências

Enviada em 22/09/2020

Desde o Iluminismo, entende-se que uma sociedade só progride quando um se mobiliza pelo problema do outro. No entanto, quando se observa os desafios no combate ao tabagismo, no Brasil, hodiernamente, verifica-se que esse ideal iluminista é constatado na teoria e não desejavelmente na prática e a problemática persiste intrinsecamente ligada à realidade do país, seja pela glamourização do fumo, seja pela influência da indústria do cigarro.

Precipuamente, é fulcral pontuar que a glamourização do fumo impulsiona o problema. Segundo levantamento realizado pela organização Truth Orange, na série da Netflix “Stranger Things”, os personagens aparecem fumando em 182 cenas e em “Orange Is the New Black”, da mesma plataforma de streaming, em 45 cenas. Diante disso, é evidente a forma como a indústria cinematográfica promove o consumo do tabaco - retratando o ato de fumar como um fator preponderante para alcançar um status quo de prestígio e classe. Ademais, a naturalização desse consumo, tão maléfico à saúde, é responsável pelo crescente número de fumantes no Brasil e no mundo, tornando-se necessária a reformulação dessa postura social de forma urgente.

Outrossim, é imperativo ressaltar a influência da indústria do cigarro como promotor do problema. No filme “Obrigado por Fumar”, do diretor Jason Reitman, o protagonista, porta-voz das grandes empresas de cigarros, manipula informações de forma a diminuir os riscos do cigarro em programas de TV. De maneira análoga, embora o Brasil tenha proibido propagandas favoráveis ao tabaco e com a Lei Antifumo, a indústria de cigarro ainda consegue articular situações de promoção do tabaco. Tudo isso retarda a resolução do empecilho, já que a influência dessas corporações contribui para a perpetuação desse quadro deletério.

Urge, portanto, o combate ao tabagismo na pátria brasileira. Cabe, então, ao Ministério da Saúde, criar propagandas nacionais antifumo, por meio da divulgação na grande mídia, tais como a televisiva e as redes sociais, com o fito de alertar a população a respeito dos prejuízos causados pelo cigarro e estimular o combate ao tabagismo. Ademais, a população pode aderir a campanhas de desestímulo à glamourização do fumo, a fim de ceifar essa influência. Desse modo, o quadro vigente aproximar-se-á da concepção iluminista de progresso, mediante a transformação da sociedade e seu modo de vida.