Tabagismo no século XXI: problemas e consequências

Enviada em 07/10/2020

No Brasil, as propagandas de cigarro são proibidas e as embalagens desse produto informam os perigos de seu consumo. Apesar de todas as restrições para a publicidade desse bem, o tabagismo vem notabilizando-se como uma adversidade substancialmente comprometedora à saúde no país. Diante disso, é evidente o desafio para combater essa circunstância desafiadora, que é ainda agravada tanto pela negligência de instituições formadoras de valores comportamentais quanto pela ineficácia de ações políticas.

Em princípio, é imperativo pontuar que a negligência de famílias e outras instituições sociais, como as escolas, colabora para a dificuldade em erradicar o vício em tabaco no Brasil. Isso decorre, principalmente, do tabu em torno da dependência química, o que leva as pessoas a se omitirem do repasse de informações acerca dessas questões, além de não criarem um ambiente seguro e acolhedor para que esse assunto seja levantado sem julgamentos. Nesse sentido, verifica-se que, mesmo após avanços na área da saúde, ainda há muita desinformação e negligência a respeito do tabagismo por parte dos brasileiros, o que faz que, muitas vezes, o direito à saúde permaneça apenas no papel.

Ademais, no contexto relativo à questão pública, é flagrante a ausência de políticas públicas suficientemente efetivas para prevenir o tabagismo. Prova dessa debilidade são dados do Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), que mostram que, em 2019, 9,8% dos brasileiros afirmaram ter o hábito de fumar, o que exibe o descaso do Ministério da Saúde com ações que poderiam, potencialmente, evitar que os brasileiros tenham o primeiro contato com drogas, como projetos que incentivem a prática de esportes e a preocupação com a saúde. Logo, indubitavelmente, é necessário maior engajamento por parte das autoridades competentes para resolver esse problema no Brasil.

Portanto, com o objetivo de consolidar uma mentalidade social que lute contra o vício em substâncias químicas, compete a mais famílias, empresas e até setores da imprensa ampliar, por meio, respectivamente, de mais diálogos domésticos, cartilhas educativas, palestras ou documentários em horário nobre sobre o tema, a necessária preocupação com a dependência química. Além disso, cabe ao governo federal intensificar investimentos em políticas públicas para garantir o tratamento de indivíduos viciados e desencorajar o primeiro contato dos cidadãos com o tabaco, por meio de uma reestruturação orçamentária capaz de destinar ao Ministério da Saúde mais recursos específicos para contemplar essa questão.