Tabagismo no século XXI: problemas e consequências
Enviada em 08/10/2020
Na obra ‘‘Utopia’’, do escritor inglês Tomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de problemas e conflitos. No entanto, o que se observa na realidade hoje é o oposto do que o autor prega, uma vez que no século XXI o tabagismo tem gerado problemas, os quais dificultam a concretização dos planos de More. Esse cenário antagônico é fruto tanto da glamourização do fumo, quanto das consequências a saúde devido ao ato de fumar. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos para o pleno funcionamento da sociedade.
A priori, é fulcral pontuar que o tabagismo configura-se um problema de saúde pública, pois não acarreta somente aos indivíduos fumantes, mas também as pessoas que convivem com eles, fumantes passivos. Nessa perspectiva, embora o Brasil tenha reduzido o número de fumantes, com a implementação da lei Antifumo e a proibição de propagandas favoráveis ao tabaco, segundo dados do INCA (Instituto Nacional De Câncer) cerca de 430 pessoas morrem por dia por causa da dependência a nicotina, com isso, em média 60 bilhões de reais são perdidos a cada ano devido a despesas médicas e perda de produtividade, por consequências dos trabalhadores mortos com as doenças relacionadas. Desse modo, fica claro a necessidade do reforço de medidas estatais contra o tabagismo para o bem-estar da população e progresso do país.
Ademais, é imperativo ressaltar a glamourização do fumo como promotor do problema. De acordo com a comunidade Truth Orange, muitos jovens começam a fumar influenciados por personagens de filmes e de seriados, já que há um fetichismo do fumo. Partindo desse pressuposto, o conceito de “indústria cultural”, do sociólogo alemão Theodor Adorno, vai ao encontro da realidade supracitada. Em seus postulados, Adorno discute a respeito do papel manipulador das esferas midiáticas no comportamento do consumidor, com o intuito de induzi-lo a determinada atitude que, para a indústria, é lucrativa. Tal mecanismo pode ser evidenciado nas produções cinematográficas, as quais exibem constantemente o uso de cigarros e outras drogas psicotrópicas em suas tramas, de modo a banalizar esse comportamento e contribuir para a perpetuação desse quadro deletério.
Logo, faz-se necessária atuação conjunta do governo e dos veículos midiáticos na dissolução dessa cenário. Portanto, cabe ao Ministério da Saúde, em parceria com a mídia nacional, entidade formadora de opinião, desenvolver palestras com médicos e ex fumantes, por meio de transmissões nas redes sociais do governo e em canais abertos de televisão, com o intuito de mitigar a influencia maléfica da normalização do fumo e das perdas anuais de pessoas e dinheiro relacionados ao tabagismo. Para que o impacto nocivo do a problemática seja amenizado e a sociedade caminhe para a ‘‘Utopia’’ de More.