Tabagismo no século XXI: problemas e consequências
Enviada em 15/10/2020
O tabagismo e sua evolução encontram, no Brasil, uma série de empecilhos. Essa tese pode ser comprovada por meio de dados do Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico — Vigitel —, os quais apontam que ocorre redução anual contínua desse hábito no país. Nesse sentido, nota-se que o poder público exerceu sua função para alterar a situação negativa. Porém, com a delimitação do cigarro, abriu-se campo para novos vícios do tabaco. Sendo assim, é fundamental a moderação de produtos derivados da nicotina.
Em primeira análise, a negligência governamental com os cigarros eletrônicos, narguilés e cigarros de palha mostra-se como um dos desafios à solução. Isso porque são facilmente encontrados para a compra ou no caso dos narguilés, podem ser alugados em diversas tabacarias por um preço muito acessível, além disso são feitas rodas de conversa para compartilhar o uso, aumentando a transmissão de possíveis doenças. Ademais, o Estado não transmite informações sobre tais produtos, gerando um desconhecimento em certa parte da população. Dessa forma, o descaso estatal, ao não direcionar esforços para restringir o uso de produtos derivados da nicotina, facilita a evolução do tabagismo e outros vícios, pois são considerados portas de entrada.
Por outro lado, ainda que houve queda no índice de tabagistas, o tabagismo e sua evolução ainda devem ser considerados uma questão de saúde pública. Pois, sem isso não haveria tanto progresso, a exemplo, no século XVII, o rei inglês James I teceu uma dura crítica ao tabagismo, o qual evidenciou: “Fumar é um costume repulsivo para os olhos, detestável para o olfato, daninho para o cérebro, perigoso para os pulmões”. Embora suas palavras fossem um alerta para os malefícios do uso do tabaco, ele foi ignorado por aquela sociedade e, também, pelos séculos posteriores, pois na década de cinquenta, os tabagistas eram considerados poderosos, ao ponto que o produto tinha o papel de posição social. Portanto, é indiscutível o país intensificar sua luta contra esse vício.
Diante dos argumentos supracitados, urge que o Estado, por meio de direcionamento de recursos ao Ministério da Saúde, efetive maior fiscalização em todos os produtos derivados da nicotina, bem como seus respectivos cultivos, com maior investimento em tecnologia e capacitação profissional de agentes, objetivando diminuir o contrabando e assegurando menor risco para a saúde do usuário. Além disso, intensificar as propagandas a respeito dos malefícios do tabaco em todos os meios de comunicação. Em suma, é preciso intervir sobre o problema, assim, espera-se que o tabagismo deixe de ser um problema no Brasil.