Tabagismo no século XXI: problemas e consequências

Enviada em 19/10/2020

Sempre ácido e crítico, Machado de Assis, em “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, satirizava as hipocrisias e os maus hábitos da sociedade brasileira do século XIX. Ainda que dois séculos tenham se passado, desde a época que viveu o escritor realista, pouco mudou quando se observa os problemas e as consequências do tabagismo. Diante disso, cabe analisar tanto os impactos negativos do uso do tabaco na economia quanto a dependência química do usuário como fatores desse cenário, a fim de revertê-lo.

Nessa perspectiva, convém pontuar que mortes prematuras e problemas de saúde causados pelo fumo, como doenças pulmonares e cardíacas, desestabilizam a economia brasileira. Nesse contexto, de acordo com a Constituição Cidadã de 1988, a saúde é direito de todos e dever do Estado. Desse modo, as enfermidades físicas decorrentes do uso de cigarro demandam grandes despesas para os cofres públicos e, assim, usam parte da verba que poderia ser destinada para outros setores.                        Outrossim, vale salientar a nicotina, presente em todos os derivados do tabaco, como substância responsável pela dependência. À luz dessa ideia, conforme o médico Paracelso, a única diferença entre o remédio e o veneno é a dose. Não há como negar, portanto, que a ação da droga no cérebro estimula sensações de prazer e, com o tempo, o indivíduo passa a precisar de doses maiores para atingir o mesmo efeito.

Urgem, pois, intervenções pontuais para sanar essa problemática. Logo, o governo, entidade máxima do poder, deve reformular leis federais acerca da composição dos cigarros industrializados. Tal ação pode ser realizada por meio do Ministério da Saúde, a partir da redução dos níveis de substâncias que levam ao vício, com a finalidade de controlar a dependência química do tabaco. Com tais medidas, espera-se que o pensamento machadiano seja alterado.