Tabagismo no século XXI: problemas e consequências

Enviada em 28/12/2020

Durante todo o século XX, propangadas de cigarros, tais quais as da Marlboro, que difundiu a imagem do ‘‘cowboy’’ e de esportistas - como pilotos de Fórmula 1 - fumantes como maneira de alavancar o consumo de tabaco em todo o mundo. No entanto, mesmo após um século, os efeitos de tais estratégias de marketing não foram superados: muitos fumantes ignoram o malefício do hábito de fumar para a sua saúde, além de que a omissão estatal em combater o culto ao tabagismo propicia que milhares de brasileiros sofram todos os anos com as consequências negativas do cigarro.

Diante desse cenário, a integridade física dos fumantes ativos e passivos é negligenciada pelos usuários, o que representa grave problema para o bem-estar público. Nesse sentido, o artigo 196 da Constituição Federal assegura que o direito a saúde é universal, o que pressupõe que as atitudes individuais e coletivas devem buscar cumprir tal pressuposto, tomando-o como base para seus atos. Entretanto, ocorre que o tabagismo desrespeita tal garantia: a escolha pessoal de fumar expõe toda a sociedade a vapores nocivos, que contêm mais de 2000 substâncias químicas, muitas delas cancerígenas. Assim, é incoerente que uma ação individual afete prejudicialmente toda a nação, o que evidencia que o hábito tabagista deve ser combatido.

Ademais, a gestão governamental é incapaz de moblizar ações efetivas de combate à disseminação do fumo nas suas diversas formas. Nesse viés, o filósofo Karl Marx definiu o conceito de fetichização da mercadoria, segundo o qual os consumidores idealizam um produto e cultuam-no, o que leva a uma necessidade irracional por esse. Dessa forma, o cigarro, por sua herança histórica, acaba por ser objetivado por muitos brasileiros, que tornam-se consumidores dessa droga. Não obstante, o Estado opta por medidas pouco eficazes para que o número de fumantes seja reduzido, tal qual a Lei Antifumo, de 2011, que, na prática, pouco alterou a dinâmica destrutiva do tabagismo na sociedade brasileira, que é incoerente num Estado Democrático de Direito.

Portanto, para solucionar a problemática exposta, urge que o Ministério da Saúde desconstrua o mito do cigarro, de modo a reduzir seu consumo e propiciar, dessa maneira, o bem-estar da população. Para tanto, propagandas com dados estatísticos sobre a letalidade de fumar devem ser veiculadas na mídia de grande alcance, como a televisão e nas redes sociais, de modo a construir uma consciência popular sobre os malefícios do fumo e minimizar sua circulação. Com isso, poder-se-á reduzir as consequências negativas do tabagismo sobre a saúde geral, tornando realidade o objetivado na Carta Magna.