Tabagismo no século XXI: problemas e consequências
Enviada em 25/11/2020
Segundo Epicuro, filósofo grego, os indivíduos deveriam evitar os desejos que não são necessários nem naturais, pois trazem dano e perturbação à alma, como o tabagismo. Apesar da significativa redução de 35% da população fumante, em 1985, para cerca de 10% em 2018, a problemática do uso de cigarro ainda perdura no Brasil devido à promoção de novos produtos. Isso gera vários malefícios à saúde dos indivíduos, além de impactos econômicos à sociedade.
A priori, o tabagismo é reconhecido como uma doença crônica causada pela dependência à nicotina presente nos produtos à base de tabaco, que acarreta vários consequências aos usuários. Esse hábito constitui fator de risco para o desenvolvimento de outras enfermidades, como tuberculose e câncer. Além do mais, é considerado a principal causa de morte evitável em todo o mundo, visto que representa 63% dos óbitos relacionados às doenças crônicas não transmissíveis, conforme a Organização Mundial da Saúde. Apesar disso, a população não atribui a devida importância a essa doença, o que contribui para a sua perpetuação, sobretudo entre os jovens, os quais estão mais vulneráveis as novidades que a indústria fumígena lança no mercado, como os cigarros eletrônicos.
Outro efeito do tabaquismo para os indivíduos é a redução do desempenho no ambiente de trabalho e, por conseguinte, da sua produtividade. Isso ocorre em virtude do elevado número de faltas, já que os problemas físicos são constantes, além de precisar mais de consultas médicas que o não fumante. De acordo com a Fundação Oswaldo Cruz, cerca de 57 bilhões de reais são perdidos a cada ano devido às despesas com saúde e perda de rendimento laboral. Ademais, a exposição a fumaça pelos fumantes passivos ocasiona desde reações alérgicas - rinite, conjuntivite- em curto prazo, até infarto do miocárdio, bronquite em adultos expostos por longos períodos. Dessa forma, é evidente a necessidade de minimizar o contato das pessoas com o fumo, já que fazem parte da população economicamente ativa, responsável pelo desenvolvimento do país.
Urge, portanto, que indivíduos e instituições públicas cooperem para mitigar esse cenário. Sendo assim, o Governo deve elevar os impostos sobre os fabricantes de cigarro, por meio da aprovação de um projeto de lei, o que aumentaria o preço dessa mercadoria. Tal atitude reduziria a iniciação de adultos e crianças e desestimularia os ex-fumantes a voltarem a usar. Logo, contribuiria com a melhora do bem estar físico e mental dos brasileiros. Também, o estado necessita responsabilizar financeiramente as empresas de tabaco pelo tratamento de doenças que têm relação com o consumo ou contato com a fumaça dos seus produtos, mediante o ressarcimento ao sistema único de saúde, e, assim, diminuir os impactos sobre a economia do país.