Tabagismo no século XXI: problemas e consequências
Enviada em 01/11/2020
Na obra literária “Admirável Mundo Novo”, de Aldous Huxley, “Soma” é um narcótico utilizado em grande escala pela população, a fim de se obter um estado de relaxamento e de sentidos entorpecidos. Semelhantemente, na sociedade do século XXI, o cigarro é largamente consumido, o que traz problemas para a saúde do homem e do meio ambiente, além de ter consequências onerosas para a sociedade.
Sabe-se, em primeiro plano, que o consumo de cigarro, embora popularizado, prejudica aspectos da saúde humana e da natureza. Nesse sentido, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o Brasil possui 24,6 milhões de fumantes, dado que demonstra que o tabagismo é um desafio enfrentado por uma parte considerável da população. Dessa forma, as pessoas que mantêm o hábito de fumar estão mais suscetíveis a disfunções respiratórias, cardíacas, e ao câncer, o que também afeta fumantes passivos, que adquirem doenças pelo contato com a fumaça tóxica que têm ao conviverem com um fumante ativo. Além disso, a produção de tabaco é nociva aos agricultores, que entram em contato com a planta tóxica e com os agrotóxicos necessários para esse tipo de cultura, muito agressivos ao meio ambiente. Outrossim, o descarte irregular das chamadas “bitucas” de cigarro, de acordo com a ONU, inicia inúmeras queimadas, além de poluir oceanos e contaminar animais.
Constata-se, ainda, que, de acordo com Balzac, “um vício custa mais caro que manter uma família”, o que identifica-se nas consequências onerosas do tabagismo para a sociedade. Analogamente ao pensamento do escritor, no Brasil, a narcodependência do cigarro custa caro aos cofres públicos, pois, consoante a pesquisas da Fiocruz, as doenças que o vício em tabaco causa demandam porcentagem relevante das verbas do Sistema Único de Saúde. Sob esse viés, a Organização Mundial da Saúde afirma que o uso do cigarro afeta a produtividade e as condições socioeconômicas das famílias em diversos países. Ademais, o contrabando de tal narcótico, que vem principalmente do Paraguai, é outro aspecto prejudicial, porque, como descrito pela Oxford Economics, tanto colabora com a criminalidade ao financiar o crime organizado, como lesa financeiramente diversos governos.
Dado o exposto, portanto, é necessário que sejam tomadas medidas efetivas para mitigar o consumo de cigarro. Cabe, então, ao Ministério da Economia, assessorado pelo Ministério da Saúde, aumentar a carga tributária sobre esse produto, para desencorajar sua compra e consumo, além de receber mais verbas para o tratamento das doenças que o cigarro causa. Por fim, o Ministério das Relações Exteriores deve levar como pauta ao Mercosul o aumento de impostos sobre o tabaco para os outros países, o que diminuiria o tráfico, e afastaria a realidade do nosso século da obra de Huxley.