Tabagismo no século XXI: problemas e consequências

Enviada em 02/11/2020

A série britânica, exibida pela plataforma de streaming Netflix, Peaky Blinders, retrata a história do líder de uma importante gangue inglesa e seus hábitos relacionados ao consumo de álcool e tabaco como forma de reafirmar seu prestígio social. Fora das telas, com o passar do tempo, o tabagismo tem adquirido cada vez mais seu espaço, representando uma grave problemática do século XXI. Assim, seja por motivos pessoais, tal como estresse e ansiedade, ou pela influência do meio em que se está inserido, a dependência do fumo e as consequências dessa realidade afetam milhões de brasileiros.        Em primeiro momento, faz-se necessário entender o que é e quais as causas desse problema. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o tabagismo pode ser considerado uma doença definida como “toxicomania caracterizada pela dependência psicológica do consumo de tabaco”. Dessa forma, o estresse cotidiano e a ansiedade atenuada pela pressão coercitiva do mundo moderno, corroboram para o aparecimento de uma necessidade de escape, encontrada no cigarro. Além disso, consoante dados da pesquisa Pense de 2015, cerca de dezenove por cento dos jovens experimentam o fumo no ensino médio, muitas vezes, influenciados pelo grupo em que estão inseridos e até mesmo pelo setor midiático, por meio de filmes e séries televisivas.

À vista disso, conforme o pai da psicanálise Sigmund Freud, o homem está em uma constante busca pelo prazer e pelo extermínio da dor e do sofrimento. Assim sendo, o prazer imediato gerado e a sensação de leveza proporcionada, associada à nicotina presente no produto, culminam no vício no usuário. Nesse sentido, tal cenário pode apresentar inúmeros malefícios; como a bronquite oriunda da tosse, impotência sexual, infertilidade, infartos, câncer e inúmeros problemas respiratórios, dentre outros, além de afetar aqueles ao redor, caracterizando-os como fumantes passivos e podendo ocasionar problemas nos futuros. Nesse contexto, de acordo com a OMS cerca de sete milhões das mortes anuais no Brasil estão ligadas diretamente ao tabagismo e um milhão à ação indireta dele.

Diante do exposto, é nítida a necessidade de conscientização acerca desse assunto que tem se tornado cada vez mais comum. Portanto, cabe ao governo federal, por intermédio do Ministério da Saúde, promover campanhas, utilizando as mídias digitais, folhetos, cartazes e outdoors que busquem difundir entre os cidadãos brasileiros a seriedade e os graves impactos gerados pelo uso constante de cigarrilha, a fim de diminuir o número de dependentes dessa droga institucionalizada. Outrossim, cabe aos ambientes escolares, a promoção de palestras com especialistas, com o fito de conscientizar os jovens e evitar o aparecimento de futuros adultos vítimas do tabagismo. Somente assim, essa doença será vista com atenção necessária, podendo levar ao fim do uso do tabaco no Brasil.