Tabagismo no século XXI: problemas e consequências

Enviada em 02/11/2020

Durante o período de Brasil colônia, formado logo após a chegada dos portugueses no território, o uso do tabaco e sua comercialização ganharam força, prática que já era utilizada pelos índios em seus rituais religiosos e confraternizações. Com o passar dos anos, o fumo tornou-se um símbolo de luxo e um produto de alto valor comercial. De maneira análoga, na contemporaneidade, mesmo com a evolução da sociedade, o tabagismo ainda é uma questão de saúde pública. Nesse sentido, tanto as orientações iniciais do indivíduo, quanto a falta de políticas no tratamento de dependências são impasses para superar a problemática.

Em primeira instância, vale salientar a interferência das influências recebidas pelos sujeitos. Segundo o sociólogo Pierre Bourdieu, um dos principais processos de formação da nossa personalidade se dá, de forma inicial, pelas experiências vividas com a instituição familiar, sendo elas trocas culturais ou comportamentais estabelecidas pela conversação e compartilhamento de ideias entre os seres. Sob tal óptica, é possível inferir que os jovens quando convivem com as práticas fumantes no ambiente familiar, apresentam uma maior predisposição para o desenvolvimento desse hábito no futuro. Por conseguinte, a normalização desse consumo e sua dependência podem trazer inúmeras consequências, como pneumonia, vários tipos de câncer, doenças cardiovasculares, entre outros.

Outrossim, a corroboração desse circunstância se deve à falta de políticas públicas para auxiliar o fumante no tratamento da dependência do cigarro. Segundo pesquisas da universidade canadense de Waterloo em 20 países, que incluiu o Brasil, foi constado que cerca de 80% dos fumantes brasileiros têm vontade de parar de fumar. Entretanto, é perceptível que abandonar um vício apresenta milhares de entraves, tendo em vista que a dependência pelos seus usuários é constante devido à presença de substâncias psicoativas no produto, como a nicotina. Nessa perspectiva, quando estes usuários não encontram o auxílio necessário para o tratamento do vício nas instituições públicas de saúde, eles sofrem com o agravamento da situação.

Diante do exposto, portanto, é notório que medidas são viáveis para diminuir os problemas advindos do tabagismo. O Ministério da Educação deve criar programas que promovam palestras e debates –mediados por psicólogos e agentes da saúde- com os alunos e comunidade, de modo que se discutam os efeitos do tabagismo e como ele pode prejudicar toda a conduta de vida do sujeito, a fim de promover conscientização, evitando consequências futuras. Ademais, o Ministério da Saúde deve investir na criação programas com o intuito de auxiliar no tratamento de dependência química dos fumantes brasileiros para assim diminuir os gastos com saúde.