Tabagismo no século XXI: problemas e consequências

Enviada em 03/11/2020

No decorrer da série “Peaky Blinders”, o telespectador se acostuma com o fato do personagem Thomas Shelby - tido como um gângster da Inglaterra no final do século XIX possuir o vício pelo cigarro. Não tão longe da realidade, muitos fãns da série e do protagonista admiram sua conduta e ações- especialmente o público mais jovem. Nesse viés, fica claro que a banalização do hábito de fumar somado à falta de criticidade na contemporaneidade corroboram para que o tabagismo seja um dos grandes vilões do século XXI.

Em primeiro Lugar, segundo o filósofo Karl Marx, " a desvalorização do mundo humano aumenta, em proporção direta com a valorização do mundo das coisas". Nesse sentido, pode-se notar que a banalização do hábito de fumar é fortemente influenciado por veículos mídiáticos e pelas redes sociais, sendo fatores inerentes ao modo de vida capitalista, que valoriza o consumo a todo custo. Consequentemente, não é díficil averiguar o motivo pelo qual o tabagismo é o grande causador de câncer de pulmão, sendo  aquele que mais mata no mundo todo; além disso, também é responsável por aumentar em 13% os números de pacientes com câncer - dados do INCA (Instituto Nacional do Câncer).

Em segundo lugar, segundo a filósofa alemã e judaica Hannah Arendt, a banalização do mal advém da falta de criticidade. Em consonância disso, pode-se citar o prazer imediatocomo um  dos motivos que fazem, especialmente o público jovem à adquirir o hábito de fumar. Para exemplificar, no livro “Areia Movediça”, da escritora  Malin Persson Giolito, a personagem Maja é uma jovem de 18 anos que é dependente do cigarro - em diversos capítulos do livro, é notório como a nictonia- substância tóxica e abundante no cigarro-, é tida como válvula de escape para a jovem - a estudante sofre de ansiedade e detém um relacionamento abusivo com outro jovem, Sebastian, também viciado no fumo e em outras drogas. Assim, fica claro que a falta de criticidade dos jovens, além da tentativa de fuga da realidade e dos problemas sociais são contribuições que acarretam no consumo do produto mortal pela sociedade contemporânea.

Portanto, ações governamentais e sociais são necessárias. Para tanto, o Governo Federal, em ação conjunta, com o Ministério da Educação deve direcionar campanhas de prevenção ao tabagismo nas escolas e universidades. Para isso, torna-se importante a contribuição de profissionais da saúde, como médicos, enfermeiros e também ex-fumantes, que promovam o conhecimento entre os jovens sobre os riscos deste mal hábito. Assim, espera-se que o público jovem aprecie e não misture ficação com realidade ao escolher seus hábitos, de forma a não afetarem sua qualidade de vida no futuro.