Tabagismo no século XXI: problemas e consequências
Enviada em 19/11/2020
Na década de 50, a mídia norte-americana veiculou a propaganda do “cowboy” da Marlboro - famosa marca de cigarros -, com o objetivo de vender não apenas seu produto, mas também o estilo de vida “Hollywoodiano”. Entretanto, em que pese a sociedade contemporânea ter acesso a diversas informações que comprovam os malefícios do tabaco, tal cultura nociva permanece enraizada na sociedade, seja pela indiferença da população aos dados a que tem acesso, seja pelo conflito com os interesses econômicos da indústria tabagista brasileira.
Em primeiro plano, é incoerente que, mesmo com todas as consequências nocivas, ainda exista tão expressivo número de fumantes no Brasil. Sob esse viés, a combustão do tabaco produz, aproximadamente, dois mil compostos químicos, a exemplo da nicotina - substância tóxica e altamente cancerígena. Ocorre que, a despeito da veiculação incessante de informações a esse respeito, a população fumante desconhece - ou ignora - os efeitos dessas substâncias tóxicas para o organismo. Não é razoável, portanto, que o prazer momentâneo do cigarro dê lugar ao câncer, enfisema pulmonar e outras doenças potencialmente letais por ele ocasionadas.
De outra parte, a Lei Antifumo, publicada em 2011, buscou desincentivar o ato de fumar - ao menos em locais públicos -, garantindo também a integridade dos fumantes passivos. Todavia, os interesses econômicos da indústria tabagista vão de encontro aos objetivos do legislador, sendo um obstáculo para que a referida norma alcance seus objetivos. Dessa forma, enquanto a realidade brasileira for o tabagismo, os ideais constitucionais de uma sociedade livre e justa jamais serão alcançados.
Urge, portanto, que medidas sejam tomadas para frear o tabagismo no século XXI. Cabe ao Ministério da Saúde apresentar à sociedade os malefícios do fumo, por meio de campanhas de conscientização, que poderiam ser feitas por palestras e “workshops”, de modo a efetivamente eliminar a prática do tabagismo. Por sua vez, cabe ao Ministério Público - guardião da ordem jurídica brasileira - fiscalizar com afinco a atividade da indústria tabagista brasileira, por meio de multas aplicadas a materiais publicitários que estimulem hábitos nocivos, com o objetivo de permitir que a legislação antifumo no Brasil possa ser aplicada de forma efetiva. Assim, observada a ação conjunta entre população e poder público, a nação brasileira finalmente poderá se ver livre da tão nociva cultura representada pelo “cowboy” da Marlboro.
Somente assim, a proposta de Hipócrates será valorizada e o tabagismo deixará de ser um problema da sociedade moderna.