Tabagismo no século XXI: problemas e consequências
Enviada em 04/12/2020
A marca Hollywood, durante os anos 80, popularizou, em suas propagandas, o consumo de cigarro como sinônimo de glamour e rebeldia. No entanto, esse incentivo reflete, ainda hoje, a falsa ideia de que o fumo pode atuar como mecanismo de aceitação dos indivíduos em certo meio social. Dessa forma, como consequência da irresponsabilidade midiática e das ineficazes medidas políticas, a urgente pauta do tabagismo demonstra tanto a influência da indústria cultural nos hábitos e vícios da população quanto as tentativas governamentais em frear a problemática de saúde pública que, raramente, se tornam efetivas. O despreparo da comunidade perante a dependência tabagista, portanto, urge por um cenário mais compassivo e saudável.
Em uma perspectiva centrada na esfera televisiva, a existência de figuras fumantes em filmes pode difundir, ainda mais, a utilização de cigarros, principalmente em meio ao universo jovem. Nesse âmbito de persuasão, a famosa série ‘‘Peaky Blinders’’, de produção britânica, apresenta personagens que fumam em quase todos os capítulos, fato que pode ser interpretado erroneamente pelo público, como sendo um estímulo ao consumo da droga lícita. Isto posto, a tendência das mídias em influenciar as massas gera impactos negativos nos cidadãos, dentre eles o flagelo do tabagismo — um hábito que permeia a sociedade e fere, intrinsecamente, o sistema público de saúde e as integridades pessoais. Pontuado isso, são necessárias medidas que visem atenuar a divulgação midiática desse vício.
Para além dessa contestação, a preocupação das organizações mundiais em extinguir a prática tabagista esbarra na negligência dos Estados, já que nem sempre a questão do fumo é uma prioridade nacional. Frente à tentativa de remediação, a Agenda 2030, elaborada pela assembleia da Organização das Nações Unidas (ONU), sugere metas desenvolvimentistas aos países, como melhorias na realidade de saúde da população, movimento necessário para que a comunidade tenha plenas condições de vida. Em contrapartida, é nítido que o governo adota poucas medidas restritivas que promovam a diminuição do consumo de cigarro, haja vista que, segundo o Instituto Nacional do Câncer, o carcinoma de pulmão é o segundo mais comum no Brasil. Assim, o desleixo estatal fere a vivência da população.
Diante do exposto, a comunidade clama por atitudes governamentais que acabem com a incitação ao fumo por parte das mídias. Para tanto, o Ministério das Comunicações e o Poder Legislativo devem coibir a idealização do cigarro, alimentada pelos programas televisivos, criando a Lei de Anti-Tabagismo, responsável por proibir cenas de fumantes em filmes. Como resultado direto, a influência negativa que esse tipo de conteúdo exerce na população será extinta. Só então seremos uma sociedade que promove o pleno combate aos vícios e a promoção de melhorias na saúde pública.