Tabagismo no século XXI: problemas e consequências
Enviada em 08/11/2020
Em “O Auto da Barca do Inferno”, Gil Vicente, pai do teatro português, tece uma crítica ao comportamento vicioso do século XVI. Fora da ficção, o Brasil do século XXI demonstra as mesmas conotações no que se refere ao vício de tabaco, conduta problemática que traz sérios danos à saúde. Nesse sentido, estratégias precisam ser criadas para alterar essa situação, que tem como causas a insuficiência legislativa e a má influência da mídia.
Em primeiro plano, é preciso atentar para a ineficiência legal presente como fator para o tabagismo. A Constituição Federal de 1988 é a lei básica brasileira que busca garantir a integridade dos seres vivos e do ambiente em que estão inseridos. No entanto, essa legislação não tem sido suficiente no que se refere à dependência de nicotina fortemente presente na sociedade brasileira. Prova disso é que, segundo a Associação Médica Brasileira, o tabagismo é a maior causa de morte evitável do mundo. Assim, a lei sendo enfraquecida, dificulta-se a resolução desse impasse.
Em segunda análise, a péssima influência midiática se faz terreno fértil para a propagação do vício de tabaco. Conforme Pierre Bourdieu, o que foi criada como instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão. Nessa perspectiva, a mídia, principalmente a televisão, está regularmente romantizando a dependência química em novelas e filmes, o que gera curiosidade nos telespectadores. Dessa forma, pode-se observar que a mídia, em vez de promover debates que elevem o nível de informação da população, influencia na consolidação do problema.
Torna-se evidente, portanto, que o tabagismo é um problema atual que precisa ser combatido. Assim, especialistas psiquiátricos, com o apoio de ONGs especializadas, devem desenvolver ações que revertam a má influência midiática sobre a dependência de nicotina. Tais ações devem ocorrer nas redes sociais, por meio da produção de vídeos que alertem sobre as reais condições da questão, comparando o tratamento que a mídia dá com relatos de pessoas que de fato vivenciaram o problema. É possível também, criar uma “hashtag” para identificar a campanha e ganhar mais visibilidade, a fim de conscientizar a população sobre as consequências do tratamento que determinados canais de comunicação dão ao assunto. Dessa maneira, é possível que o problema do tabagismo permaneça no passado brasileiro.