Tabagismo no século XXI: problemas e consequências
Enviada em 09/11/2020
Em 1920, a empresa norte-americana DC Comics publicou a primeira revista do Super-Homem, personagem que viria a integrar a cultura popular até um século mais tarde. Homem branco e patriota, esse herói refletia os valores da sociedade que o produzira, ao mesmo tempo em que servia de aviso para que seu público - predominantemente jovem - se afastasse das drogas; sua única fraqueza era a kriptonita, toxina a que o herói, em publicações originais, era viciado. Essa publicação pode ser interpretada como uma pioneira crítica cultural ao tabagismo, prática danosa e amplamente difundida à época de publicação, que consoa com os interesses do capital, mas que vê, por parte da cultura, uma forma de enfrentamento.
Essa resistência se faz necessária, uma vez que o uso de nicotina favorece os detentores dos meios de produção, sendo por eles incentivado, apesar de trazer danos à saúde do trabalhador usuário. Isso porque, além de diretamente financiar a indústria do cigarro, esse hábito desmobiliza movimentos reivindicatórios de melhorias nas condições de trabalho, uma vez que um dos efeitos dessa toxina é a redução do estresse. Dessa forma, mobilizados pelo desejo por lucro, os empregadores implantam “áreas para fumantes” nas plantas industriais e disponibilizam maços de cigarro nas lanchonetes, situação metaforizada por Chaplin em “Tempos Modernos”, na cena em que uma máquina força o operário a fumar.
Em contrapartida, o Lex Luthor da indústria do cigarro é enfrentado por Super-Homens e Chaplins. Essas produções culturais, assim como diversas outras, dispõe de notável poder transformador, uma vez que têm amplo alcance popular e que inspiram admiração. É de posse desse conhecimento que o Estado brasileiro já proíbe, por lei, o tabagismo nas telas, visando contê-lo fora delas.
Nesse sentido, tendo em vista o enraizamento intencional do problema do tabagismo na sociedade brasileira e o poder transformador da cultura, pode-se usá-la para combatê-lo. Com essa intenção, a Secretaria de Cultura deve subsidiar, com incremento de 15% aos incentivos da Lei Rouanet, todas as produções culturais - filmes, novelas, revistas e etc. - que explicitamente se oponham ao hábito de fumar. Dessa forma, mais de um século após sua publicação, o Super-Homem seguirá lutando em prol do povo.