Tabagismo no século XXI: problemas e consequências
Enviada em 10/11/2020
A guerra do Ópio travada entre Inglaterra e China nos levam a um debate atual: qual limite entre a liberdade individual e escolhas de um indivíduo e suas consequências ao afetarem a sociedade? a substância do ópio, droga altamente viciante, atingiu a população causando perda da produtividade econômica e doenças. De forma análoga, atualmente, o tabagismo tem ganhado espaço, sendo os principais problemas: suas toxinas viciantes e consequentes enfermidades.
Inicialmente, vício é qualquer deformação que altere algo física, extinguindo a racionalidade e busca exacerbada de uma substância. A nicotina, presente no cigarro, é a toxina viciante que incapacita seus usuários a uma escolha mesmo quando essa afeta sua saúde. Segundo pesquisas do INCA, o mais recorrente tipo de câncer é aquele consequente do uso do tabaco. Sendo destinada cerca de um terço dos recursos do SUS, o risco do uso contínuo pode causar problemas na cognição, onde a sinapse feita pelos neurônios são danificadas e gera dificuldade de aprender e perda de memória. O uso na gravidez pode resultar em aborto, perda da oxigenação na placenta e bebês desnutridos, sendo dever do Estado intervir segundo o artigo 196 " a saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem a redução do risco de doenças. "
Ademais, é de se pensar que sermos indivíduos livres em sociedade impede o Estado de interferir, porém, seguindo a lógica determinista pelo argumento da inevitabilidade em que nossas escolhas são motivadas pelos desejos, o livre arbítrio não existe, já que uma pessoa com compulsão em fumar não pode escolher não fazê-lo. A vida em sociedade é composta por um contrato tácito onde o Estado é o regulador, impedindo que as pessoas ajam de acordo com sua própria vontade por meio de leis. Segundo a filosofia kantiana, a moralidade de uma ação só pode ser atingida se for guiada pela racionalidade, independente das vontades. Para concluir se uma ação é moral ou não se utiliza da regra da universalização: “Se todas pessoas do mundo pudesses fumar, sem um limite imposto, isso ainda seria certo?”
Portanto, os interlocutores da informação, como noticiários televisivos e canais de imprensa devem intervir no problema por meio de campanhas que conscientizem a população dos riscos do consumo do cigarro. O Estado, como instância máxima de administração executiva, deve agir com criação de leis que diminuam o consumo, como exemplo chinês, onde o Estado impôs um limite para compra da substância por cidadão, impedindo uma população doente e aumento das taxas de mortalidade infantil.