Tabagismo no século XXI: problemas e consequências
Enviada em 13/11/2020
Segundo a teoria contratualista do filósofo Jonh Locke, na formação de uma sociedade, os indivíduos cedem sua liberdade ao Estado e este, em troca, garante todos os direitos aos cidadãos. Na realidade brasileira, contudo, há uma deficiência na aplicação prática do direito à saúde, uma vez que persiste o problema do tabagismo, que se apresenta como um grave fator de risco à qualidade de vida das pessoas. Essa questão é motivada, principalmente, por um descuidado em alertar a geração atual sobre os prejuízos do fumo, gerando danos não só à saúde pública, mas também à economia do país.
De início, percebe-se que a falta de entendimento dos mais jovens sobre a gravidade do uso do cigarro torna-se uma causa importante para a persistência do problema no século XXI. No passado, cerca de 34% dos adultos eram fumantes no Brasil, segundo a Pesquisa Nacional sobre a Saúde e Nutrição, feita em 1989. Entretanto, com o declínio desse número graças à criação de programas de combate ao fumo, a geração atual não tem contato suficiente com os efeitos drásticos do cigarro à saúde do homem, gerando a falsa sensação de que esse produto é inofensivo. Tal fato, aliado à necessidade de se sentir encaixado em certos grupos a partir da adoção de comportamentos específicos e à falta de campanhas atuais eficientes sobre o assunto, favorece o retorno desse mau hábito entre os adolescentes, que tendem a se tornar adultos dependentes.
Como consequências do uso constante do tabaco, destacam-se os danos à saúde e à economia. A esse respeito, doenças crônicas - caracterizadas por se desenvolverem a longo prazo no organismo humano - como câncer de pulmão e estômago, infecções respiratórias e alterações comportamentais são comumente desencadeadas pelo fumo, o que compromete não só o bem-estar físico do indivíduo, mas também seu convívio social, controle emocional e saúde psíquica. Além disso, a sociedade como um todo pode ser afetada, já que dezenas de bilhões de reais são gastos com despesas médicas no tratamento dessas enfermidades, segundo o Ministério da Saúde. Fica claro, assim, que tal problemática engloba vários setores sociais e, por isso, exige uma maior atenção de todos.
Logo, é essencial viabilizar caminhos para combater o tabagismo na sociedade brasileira. Para tanto, o Ministério da Educação deve implementar nas escolas, como medida de longo prazo, projetos de divulgação de informações sobre os efeitos diretos do cigarro no organismo humano. Isso deve ser feito por meio de ficções engajadas, como documentários, que possam ser levadas ao ambiente escolar e impactar os alunos sobre essa temática, além de palestras educativas com médicos e profissionais da área. Com isso, o número de fumantes será controlado e o Estado poderá realizar mais plenamente a sua função segundo o ideal de Locke.