Tabagismo no século XXI: problemas e consequências
Enviada em 17/11/2020
Para o sociólogo Zygmunt Bauman, no conceito de “modernidade líquida”, a sociedade atual tem como característica a alta volatilidade de todas as esferas da vida social, o que tende a agravar ou desenvolver sintomas depressivos e de ansiedade. Dessa forma, o tabagismo, um hábito muito comum até a metade do século XX, volta a tona na realidade do século XXI e dois problemas devem ser analisados: a relação do tabagismo com portadores de transtornos mentais e as consequências do fumo para a saúde.
Inicialmente, é importante reconhecer o crescente número de pessoas com transtornos psicológicos e como isso é relacionado ao tabagismo. De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), a depressão será a doença mais comum do mundo em 2030. Além disso, ainda conforme a organização, o Brasil é o país mais ansioso mundialmente. Nesse prisma, os produtos derivados do tabaco (como charutos e cigarros) são utilizados com o objetivo de suprimir os sintomas dos transtornos psicológicos, ao causar uma sensação de bem estar no usuário. Consequentemente, esse prazer em razão do efeito da nicotina, presente no tabaco, resulta na dependência química dos indivíduos fumantes.
Outrossim, é válido ressaltar as consequências decorrentes do fumo para a saúde. Isso se justifica pelo aumento da probabilidade de desenvolver cânceres (principalmente o pulmonar) e problemas cardiovasculares ocasionados pelas substâncias inaladas no ato de fumar. Segundo uma pesquisa divulgada em 2013 na revista inglesa " The New England Journal of Medicine", o tabagismo retira dez anos da expectativa de vida de um adulto. Por conseguinte, consoante a dados da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), 21 bilhões de reais são gastos anualmente para tratar doenças de quem fuma no Brasil.
Portanto, é mister que o Estado tome medidas para diminuir o número de fumantes no país. Logo, urge ao goveno federal, em parceria com o Ministério da Saúde e o Conselho Federal de Psicologia, o dever de proporcionar auxílio aos dependentes da droga com transtornos psicológicos. Essa ação deverá ser feita por intermédio do investimento na construção de novas unidades do CAPS (Centro de Atenção Psicossocial) especializadas em adição ao tabaco, principalmente às pessoas com ansiedade ou depressão, com sessões de terapia cognitiva comportamental individuais e em grupo. Dessa maneira, o intuito disso é diminuir o número de fumantes por meio do tratamento das suas faculdades mentais, então o país passará a gastar muito menos com tratamentos de doenças provocadas pelo uso de produtos derivados do tabaco.