Tabagismo no século XXI: problemas e consequências
Enviada em 24/11/2020
Assim como foi, no período colonial, largamente consumido por colonos e utilizado como moeda de troca por escravos, hodiernamente, o tabaco se tornou um dos maiores agravantes da saúde brasileira. Dessa forma, tal prática persiste no cenário do país devido à naturalização social do ato de fumar e à inobservância estatal quanto a questão.
Em primeiro plano, é fato que a sociedade enxerga o uso do cigarro de forma aceitável. Na série de televisão “Euphoria”, o fumo é retratado como uma atitude necessária para estar dentro dos padrões dos jovens descolados nas escolas. Nesse sentido, Pierre Bourdieu explica em “Habitus” que os homens naturalizam e reproduzem um padrão a ser seguido. Ou seja, pela vontade de se encaixar nos moldes sociais, os indivíduos são conduzidos ao tabagismo, sem notar que os prejuízos estão logo a sua frente. Logo, para resolução do problema, é preciso encará-lo com um olhar sociológico.
Além disso, a Carta Magna de 1988 assegura direito pleno à saúde, porém, quando o Estado não age com medidas eficientes contra o tabagismo esse direito constitucional é ferido. Nessa perspectiva, sabe-se que para combater a dependência química do cigarro, é necessário que a Autoridade Administrativa traga acessibilidade a um tratamento psicológico aos indivíduos. Contudo, de acordo com dados revelados pelo SUS (Sistema Único de Saúde), apenas 1% dos funcionários de postos de saúdes são psicólogos, o que torna o acesso a esses profissionais impossibilitado. Por conseguinte, o empecilho precisa de atenção governamental para que possa ser superado.
Portanto, para que os prejuízos gerados pelo tabaco sejam erradicados, é mister que o governo contrate psicólogos, por meio de concursos públicos anuais, para realizar avaliações psicológicas em escolas - onde há intensa formação de opinião - e procurar possíveis dependências químicas. Dessa forma, a fim de encontrar jovens que necessitam de acompanhamento, será necessário assegurar o direito constante na Constituição.