Tabagismo no século XXI: problemas e consequências

Enviada em 28/11/2020

Policarpo Quaresma- personagem da obra de Lima Barreto- era um homem extremamente adorador do Brasil, destarte, de modo utópico, Quaresma idealizava um país isento de problemas sociais. Todavia, essa idealização se vê distante da realidade brasileira, haja vista a crescente prática do tabagismo e seus malefícios na sociedade hodierna. Dessa forma, faz-se necessário avaliar não só a pressão social, mas também o descaso do Estado, como fatores que contribuem para a manutenção do problemática.

A priori, vale destacar a pressão social como fator determinante para a manutenção do uso das drogas lícitas na contemporaneidade. No livro “Sociedade do Espetáculo”, de Guy Debord, é retratado como as pessoas vivem suas vidas para exibir aos outros o melhor show possível, buscando alcançar a imagem perfeita. De maneira análoga, os jovens, geralmente, começam a fazer o uso do tabaco, apenas para se encaixar em um grupo social, ou para não parecer tão diferente dos outros adolescentes que são “descolados” porque fumam. No entanto, algo que era, inicialmente, passageiro, acaba se tornando um vício que perdura e torna-se constante na vida do fumante, o que é evidente na série Skins, em que Naomi, fumante desde os 14 anos, acaba descobrindo um câncer no pulmão antes mesmo de completar 40 anos e, consequentemente, vem a falecer.

A posteriori, é importante ressaltar o descaso do Estado em relação aos malefícios do tabagismo na sociedade brasileira. Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde) mais de 200 mil pessoas morrem por ano no Brasil pelo uso do tabaco. Nessa perspectiva, é notório a inadvertência do Estado frente às consequências dessas drogas lícitas na saúde física e emocional dos fumantes, visto que não só o corpo físico é afetado, mas também o emocional deles, trazendo a dependência da nicotina que  desencadeia transtornos mentais e comportamentais, dentre os sintomas depressivos e de ansiedade. Dessa forma, o postulado filosófico de Thomas Hobbes em relação à postura do Estado de “Leviatã” (protetor) dos seus cidadãos não mostra-se evidente e eficaz no Brasil.

Portanto, medidas são necessárias para resolver o impasse. Diante disso, cabe ao Ministério da Saúde, em parceria com ONGs (Organizações Não Governamentais) um projeto que por meio de investimentos, realize feiras comunitárias, a cada 3 meses, com psicólogos voluntários que atendam aos fumantes, buscando acabar gradativamente com o vício. Além disso, cabe uma parceria com o Ministério da Educação, proporcionando palestras, mensais, nas instituições de ensino, para que desde cedo os jovens sejam conscientizados sobre os malefícios do tabagismo. A fim de que, dessa forma, o Brasil se torne o país tão idealizado e adorado por Policarpo Quaresma.