Tabagismo no século XXI: problemas e consequências

Enviada em 27/11/2020

No seriado “Stranger Things”, ambientado em 1983, o chefe da polícia Jim Hopper, sofre com problemas de dependência química ao longo da série. Em certo ponto, para controlar a dor da perda de sua filha, ele regularmente fuma vários cigarros por dia. Conquanto, tal prática não se restringe do século XXI, haja vista que apesar do tabagismo ter sofrido relativo declínio, esse vício ainda desencadeia sérias consequências para o fumante e a persistência da indústria do cigarro como propulsores dessa problemática.

Em primeiro plano, é evidente que o uso de substâncias químicas acarreta na vida do indivíduo diversos problemas que comprometem sua saúde. De acordo com o Instituto Nacional do Câncer, as mortes relacionadas ao uso de produtos derivados do tabaco somam 4,9 milhões por ano em todo o mundo. Por conseguinte, o fumante adquire no decorrer do tempo, diversos problemas cardíacos e respiratórios, pois essa substância é psicoativa, isto é, produz a sensação de prazer, o que pode induzir ao abuso e à dependência da nicotina, constantemente oferecida ao cérebro, no qual obriga o fumante a consumi-la para produzir os neurotransmissores responsáveis pelo bem-estar e pela capacidade de concentração.

Ademais, presencia-se um forte fator de influência desses algoritmos na coletividade social: ao observar que desde a infância os filhos observam os pais fumando, e como consequência, muitos acabam adquirindo o hábito ainda na juventude. Outro fator está na glamourização dessas práticas nas propagandas e filmes desde o século XX, no qual eram transmitidas em massa. Nessa conjuntura, a indústria tabagista se aproveita desses veículos para propagar o uso do cigarro. Sendo assim, de acordo com o filósofo Zygmunt Bauman, vivencia-se atualmente um período de liberdade ilusória, já que o mundo globalizado não só possibilitou novas formas de interação com o conhecimento, mas também abriu portas para a manipulação e alienação vistas em “1984”.

Assim, medidas exequíveis são necessárias para conter o avanço do consumo do tabaco no século XXI. Portanto, cabe ao Ministério da Saúde - órgão responsável pela prevenção e a assistência à saúde dos brasileiros - promover campanhas que enfatizam os riscos e as consequências das drogas lícitas para a população com dados estatísticos que informe o número de mortes causadas pelo tabagismo. Essa divulgação deve ser em parceria com a mídia, haja vista que seu principal papel é informar os cidadãos. Além disso, cabe aos serviços streaming reduzirem o número de cenas em filmes e séries com a presença do cigarro a fim de que a influência indesejada não ocorra. Dessa forma, o tabagismo será atenuado contribuindo para uma sociedade livre de vícios.