Tabagismo no século XXI: problemas e consequências
Enviada em 28/11/2020
Na era de ouro do cinema norte americano, a associação entre o ato de fumar e os personagens dos filmes foi tão expressiva que umas das marcas de cigarro mais famosas do mundo é denominada Hollywood. Essa associação, que tinha o intuito de transmitir sofisticação e rebeldia, ajudou a popularizar o hábito de fumar entre as pessoas, inclusive no Brasil, a partir da importação do estilo de vida norte-americano após a segunda guerra. Assim, a problemática que envolve o tabagismo no país ainda é relacionada com idealização do ato de fumar e gera consequências prejudiciais à coletividade.
Em primeira análise, é necessário ressaltar que, a despeito das campanhas governamentais acerca dos malefícios do tabagismo, o uso do cigarro persiste no imaginário social relacionado à ideia de vida boêmia e jovial, em razão dos efeitos estimulantes da nicotina. Esses efeitos sãos as sensações de prazer e tranquilidade geradas de imediato desde o primeiro uso dessa droga lícita, em contrapartida, os malefícios podem levar alguns anos para surgir no organismo fumante. Sob essa ótica, os jovens tem a tendência a serem seduzidos pelos prazeres instantâneos, de maneira que, 90% dos fumantes inicia o vício na adolescência, conforme dados da Organização das Nações Unidas. Além disso, a indústria do tabaco se atualiza para atender as atuais demandas, a exemplo da popularização do narguilé para uso do tabaco, que visa atrair pelo aroma de essências e pelo uso em grupo.
Em segunda análise, os prejuízos ocasionados pelo vício em cigarro ultrapassam a esfera privada e geram danos diretos aos fumantes passivos, e indiretos a toda coletividade. Nesse sentido, o ato de fumar está relacionado ao desenvolvimento de doenças cardiovasculares e ao aumento da incidência de cânceres de pulmão, tanto nos fumantes ativos, como também nos fumantes passivos, que acabam submetidos às substância tóxicas do cigarro mesmo sem usar a droga. Essa dinâmica contribui para a diminuição da produtividade dos trabalhadores fumantes e para a oneração dos custos com tratamentos no Sistema Único de Saúde, o que implica gastos maiores que poderiam ter melhor aproveitamento em benefício da coletividade.
Portanto, registra-se a importância do contínuo combate ao tabagismo no país. Para tanto, o Ministério da Saúde deve intensificar a publicidade com os malefícios do cigarro nos meios de comunicação, com ênfase nas mídias sociais, a fim de atingir o maior número de jovens e, assim, desestimular o uso de tabaco em suas variadas formas desde cedo. Ademais, essa publicidade também deve informar os cidadãos acerca dos programas de controle do tabagismo oferecidos pelas Secretarias Estaduais de Saúde, com o intuito de mais fumantes se tratarem e vencerem o vício. Dessa maneira, o glamour dos cigarros hollywoodianos ficarão restritos às tela de cinema do passado.