Tabagismo no século XXI: problemas e consequências

Enviada em 30/11/2020

Mesmo com a redução massiva de fumantes em relação ao século XX, o tabagismo no século XXI ainda é um problema de consequências expressivas. De acordo com dados de 2019, da Organização Mundial da Saúde (OMS), o tabaco mata mais de 8 milhões de pessoas por ano, sendo que 7 milhões está relacionado à fumantes ativos e 1 milhão à fumantes passivos. Dessa forma, fica evidente a relevância desse assunto ao se falar de saúde pública, entretanto, essa questão ultrapassa a medicina e também se torna pauta em debates sobre o meio ambiente.

Em primeiro plano, o combate ao tabagismo se tornou questão de saúde pública brasileira porque esse hábito, atualmente mais comum nas classes mais baixas, é a principal causa do câncer de pulmão na população que, infelizmente, sofre com o sucateamente do sistema de saúde pública e nem sempre consegue tratamento. Dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca), 13% dos novos casos de câncer são de pulmão, o segundo mais comum entre homens e mulheres no país. Assim, pessoas diagnosticadas com a doença têm direito ao tratamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS), sendo este um tratamento complexo. Contudo, muitos tratamentos são frustrados e, por isso, o combate ao tabagismo se torna um instrumento fundamental para a prevenção de casos futuros e, consequentemente, da redução da demanda de doentes.

Ademais, não só a saúde pública é afetada pelo tabagismo, como também o meio ambiente. Entre diversos pontos como a influência no aumento de índices de queimadas e criação de monoculturas de tabaco, o principal é o impacto das bitucas de cigarro nos oceanos. O “Ocean Conservancy” publicou em 2018 que existem maiores quantidades de bitucas de cigarro nos oceanos do que resíduos plásticos. Além disso, também divulgaram a presença de resíduos tóxicos do cigarro em 70% das aves marinhas e 30% das tartarugas marinhas. Ou seja, como o descarte das bitucas de cigarro são indevidamente feitas, muitas vezes ela vão parar nas redes de esgoto que desembocam nos oceanos. Apesar da redução do consumo de cigarros não ser de fato a solução para este problema, mas sim seu correto descarte, é inegável que o combate ao tabagismo contribui nessa questão.

Portanto, se faz necessário tratar a questão do tabagismo no século XXI com seriedade. Uma saída é o reforço das campanhas antitabagistas na prevenção do uso do tabaco e na reabiliatação dos usuários. Essas campanhas podem continuar com o formato atual, em embalagens e propagandas, entretando, o foco deve ir além das consequências físicas, abordando fortemente as consequências psicológicas, como: “não à romantização do tabagismo”, “mais descolado que fumar é viver” para chegar nos usuários que ainda estão no início do uso em que é mais fácil largar a dependência.