Tabagismo no século XXI: problemas e consequências

Enviada em 13/12/2020

“Eu procurei fumar cigarro Hollywood que a televisão me diz que é o cigarro do sucesso. Eu sou sucesso!” Esse é um trecho da música de Raul Seixas, “É fim de mês”, que revela a intensa associação entre o hábito de fumar e o prestígio social, comumente propagado no século passado. Hoje, mesmo com algumas medida do poder público para tentar contornar essa situação, o tabagismo ainda é um problema no Brasil, sobretudo devido à sua popularização como mecanismo de prazer imediato, o que traz graves consequências ao país.

Deve-se destacar, a princípio, que um dos complicadores da problemática é o frequente uso do cigarro como ferramenta de satisfação instantânea. Assim como no poema “Tabacaria” de Fernando Pessoa, no qual o eu lírico encontra no fumo uma válvula de escape de seus pensamentos. Isso é reflexo da atual configuração da sociedade, que, segundo o filósofo Byung-Chul Han, supervaloriza a produtividade e o rendimento pessoal, além de buscar meios práticos de prazeres imediatistas, mesmo que efêmeros. Porém, tal sensação prazerosa do tabagismo é oriunda de compostos químicos, como a nicotina, que ocasionam extremos impactos à saúde, tanto física quanto psicológica, visto que essas substâncias causam forte dependência, e reduz, significativamente, a qualidade de vida dos usuários.

Ademais, vale ressaltar que, além da influência negativa para a saúde individual, o hábito de fumar oferece grandes consequências ao sistema de saúde do Brasil. De acordo com dados da Instituição Nacional de Câncer, INCA, cerca de 30% dos recursos do Sistema Único de Saúde, SUS, são destinados ao tratamento de diversas enfermidades relacionadas ao tabagismo, principalmente cânceres ligados ao aparelho cardiorrespiratório. Logo, é nítido que o país mobiliza um elevado investimento para remediar um grave problema ao invés de preveni-lo de forma mais eficaz e econômica. Outrossim, esses altos custos limitam os recursos do SUS para os demais tratamentos e acompanhamentos, o que faz o tabagismo, de maneira indireta, impactar toda sociedade brasileira.

Urge, portanto, adotar medidas para atenuar os problemas e as consequências do tabagismo no século XIX. O governo, por meio do Ministério da Saúde, em parceria com as mídias, deve criar campanhas educativas, veiculadas em rádios, televisão e redes sociais, sobre o tabagismo e seus malefícios, a fim de romper com a imagem prazerosa do cigarro e fomentar debates acerca do assunto em todas as esferas sociais. Em paralelo, os poderes executivo e judiciário, por intermédio de órgãos responsável, precisam desenvolver políticas sociais eficazes, voltadas à prevenção do hábito de fumar, consoante a promoção de melhorias nos tratamentos dos usuários, com intuito de mitigar os impactos ao sistema de saúde do país. Tais medidas visam ir de encontro à imagem idealizada do cigarro.