Tabagismo no século XXI: problemas e consequências
Enviada em 03/12/2020
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o tabagismo é uma doença crônica que mata mais de 8 milhões de pessoas no mundo por ano. Isso decorre dos efeitos que essa prática causa ao organismo, como a queima das vias aéreas e a inflamação dos brônquios, que levam a uma grave dificuldade respiratória. No entanto, ainda que a população tenha acesso a essas informações, o fumo ainda se encontra bastante presente na sociedade, provocando graves consequências à saúde dos indivíduos. Tal problemática persiste por raízes sociais e científicas.
Em primeiro lugar, é importante destacar que a mídia, por meio dos filmes e da publicidade, permitiu a construção da ideia que fumar era chique e elegante. Nesse âmbito, insere-se a teoria da sociedade do espetáculo de Guy Debord, segunda a qual as pessoas estariam vivendo como se realizassem uma performance, sempre na tentativa de causar uma boa impressão ou agradar terceiros. Dessa maneira, muitas pessoas começaram a consumir cigarros a fim de conquistarem status no contexto social. Porém, elas desenvolveram uma alta dependência que, ainda hoje, as impede de parar com tal hábito.
Outro fator a ser considerado é a presença no tabaco de substâncias viciantes. A principal delas é a nicotina, que permite sensações de prazer, bem-estar e tranquilidade. É por esse motivo que muitos fumantes não conseguem suspender tal costume. Alguns, ao buscarem a independência, apresentam uma síndrome de abstinência, que causa problemas como ansiedade, irritabilidade ou depressão. Nesse contexto, o documentário “Fumando espero” mostra como o cigarro era utilizado pela diretora da obra (Adriana Dutra) para que ela se acalmasse em momentos de nervosismo, e a dificuldade encontrada por ela para deixar o vício.
Observa-se, portanto, que a construção de uma imagem social e a presença de substâncias que viciam os consumidores dificultam o combate ao tabagismo no mundo contemporâneo. Dessa forma, medidas são necessárias. É preciso que o governo crie políticas públicas que auxiliem na eliminação do fumo por meio de programas de ajuda para que não haja mais dependência. Em tais programas, devem ser oferecidos serviços como a psicoterapia, a suplementação de nicotina em doses decrescentes que supram as necessidades dos indivíduos e o contato com pessoas que passem pela mesma situação e que poderão ter um apoio mútuo. Somente com esses ações será possível a formação de uma sociedade livre do tabaco e, como consequência, mais saudável.