Tabagismo no século XXI: problemas e consequências
Enviada em 08/12/2020
A Constituição Federal, promulgada em 1988, garante aos brasileiros o direito à saúde e ao bem-estar. No entanto, a persistência do tabagismo na sociedade brasileira impossibilita que grande parte da população desfrute desses direitos na prática. Essa realidade se deve, essencialmente, a uma crescente estimulação ao consumo do tabaco pelas mídias, bem como de uma inércia estatal frente a problemática.
Em primeiro plano, é importante destacar que, em função das novas tecnologias, as pessoas são cada vez mais influenciadas pelas mídias. Nesse sentido, segundo o filósofo Karl Marx, para se estimular o consumo criou-se o fetiche sobre a mercadoria, ou seja, constrói-se a ilusão de que a felicidade só será alcançada a partir da compra do produto. Sob esse viés, a exibição de pessoas fumando durante programações de TV, nas mídias sociais, nos filmes e em revistas, impacta diretamente no público que assemelha o uso do cigarro as emoções que os artistas e as imagens expressam que, por consequência, corrobora para aumento do número de pessoas que aderem o hábito de fumar em detrimento de experimentar tais sensações ilusórias. Desse modo, é notório que a exibição de cenas que estimulam o tabagismo contribui para o agravamento do exposto.
De outra parte, é preciso pontuar a omissão estatal como um dos impulsionadores do impasse. A esse respeito, de acordo com Aristóteles, no livro “Ética à Nicômaco”, a política existe para garantir a harmonia aos cidadãos. Porém, é evidente que o conceito do autor se encontra deturpado no país, haja vista que o governo não dispõe de medidas para conter o consumo do tabaco, como aumentar os impostos sobre os produtos fumígenos, o que, por fim ocasiona nas altas taxas de pessoas fumantes no país, fator que são denunciados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a qual revela que 10% da população brasileira faz uso de cigarros. Logo, é necessário mudanças estatais para assegurar o ideal proposto por Aristóteles.
Portanto, é mister que o Estado tome providências que amenizem o quadro. Acerca disso, cabe ao Ministério da Saúde, órgão responsável pelos bem-estar coletivo, por meio de verbas governamentais, promover palestras e simpósios, os quais elucidem os riscos traduzia pelo consumo de cigarros, com objetivo de construir o senso crítico nas pessoas a respeito dos efeitos colaterais desse vício, desmistificando a ilusão de sensação que as mídias transmitem aos telespectadores. Ademais, urge ao Poder Legislativo, criar uma lei, através da apresentação e votação no Congresso Nacional, que imponha um imposto de 3% sobre os cigarros vendidos no país, a fim de reduzir o tabagismo em sociedade. Assim, dessas medidas, o brasileiro verá a Constituição Federal uma realidade próxima.